O GRANDE ESPIRITO E O DILEMA DA ALDEIA MARACANÃ


Texto: Reinaldo Cunha - reycunha@ig.com.br

Em realização de cerimônia do ”cachimbo sagrado” na Aldeia Maracanã, antigo Museu do Índio, realizada no dia 23 de fevereiro de 13. Os suplicantes em subserviência ao “Grande Espírito” pediam purificação da sua alma, através de uma pitada em um cachimbo. Para os iniciados eram necessários regozijo total e penitencia ao deus adorado. Através de uma formação em circulo, em uma roda de caraterização de formação de teatro de arena. O grande espírito reencarnado era evocado pelo personagem teatral, uma espécie de xamã, que com seus conhecimentos adquiridos, preparava o ambiente para a chegada do “grande espirito”, que após algumas pitadas de fumaça se apresentou.

Para isso foram entoados alguns cânticos e preces, além da utilização de utensílios matérias, como: o cachimbo o tambor e ervas-naturais, sem agrotóxico. Para que o grande espírito descesse do plano espiritual para o plano terreno onde habitam os mortais, eram necessários que a fumaça do cachimbo se encarregasse de limpar as impurezas dos presentes e transportasse os crentes para o plano astral. Dando inicio a cerimônia, o interprete solicitou a todos que desligassem os telefones, maquinas fotográficas e todas as conexões com o mundo terreno. De modo que: “descalços, em contato com a mãe terra, o grande espirito pudesse aterrissar purificando as almas”.

Após convicção das condições ambientes o mensageiro falou: “vamos utilizar o cachimbo sagrado”. Após alguns segundos disse: “vou colocar os sete elementos sagrados da natureza, através de sete porções mágicas”. E se dirigiu a uma bolsa de couro expostas em um pano no chão e retirou a porção magica. A primeira porção de ervas que estavam armazenadas em um saquinho de pano foi colocada no cachimbo sagrado em sequencia em um total de sete porções. E disse: “a primeira porção é para o grande espírito; a segunda, para mãe terra; a terceira, para os cristais; a quarta, para o ar; a quinta, para o fogo; a sexta, para o vento; a sétima, para a água”, conforme tradição dos índios americanos.

E repetia: “o cachimbo não pode ser tragado, pois a fumaça deve ser expelida pelos poros e banhar todo o corpo”. Isto porque a fumaça tragada pode levar impurezas para o corpo como o cigarro, comprometer a saúde e a conexão com o grande espirito.

Ainda nos preparativos, alguns caciques de etnias distintas, cantavam em sua língua pátria, saudando o grande espírito. Enquanto o cachimbo passava de mão em mão, ao som de uma flauta contribuía para o relaxamento e a conexão com os espíritos.

A fumaça do cachimbo e a fogueira acesa para a cerimônia serviam não só para limpar o ambiente, mas também para espantar os mosquitos que ali picavam os mortais.

Enfim, o Deus adorado apareceu. E eis que disse o discípulo: “Eu procura a ti e tu me dizes o caminho”. Em seguida, em transe, o interprete falou: “vocês tem que se unir não pode haver divisão dos parentes; a resistência e a defesa do museu do índio devem continuar; a universidade indígena e o centro cultura devem ser articulados pelos Amigos da Aldeia Maracanã e os intelectuais; formalizem a sociedade; mobilizem a sociedade civil para ocupação do espaço; os apoiadores têm continuar a vigília e a organização do espaço; os colaboradores devem doar alimentos e agua potável; devem-se intensificar parcerias para melhorar as acomodações e o espaço físico do prédio; cuidado com os escombros; cuidado com o inimigo infiltrado; não aceitem benesses do governo que não sejam a garantia do Museu do Índio; façam preces; evoquem os espíritos; o governo vai mudar mais três, dois, um grau, continuem mobilizados”, concluiu.

Controvérsias entre entes federativos
A imprensa tem noticiado total controvérsia entre os entes federativos. Até agora não apareceu uma proposta de consenso que contemplassem os índios da Aldeia Maracanã, a sociedade cível e os interesses do governo.

Palavras do interprete depois do aconselhamento do grande espirito.

Não temas: “os que desejarem a destruição do museu pereceram, sentiram uma dor profunda. Pois é desejo do grande espírito a materialidade do Museu do Índio e valorização dos Povos Originários”. Em seguida, repetiu: “o deus adorado dispersou-se, foi embora, deixou seu ensinamento”. Já cansado com voz embargada, o interprete segurou o cachimbo por traz, pedindo para não pegar nas penas e disse: “querem comentar, falar alguma coisa olhando atônito para todos”.

Palavras dos suplicantes
O primeiro suplicante falou: “devemos continuar a luta e buscar a unidade dos irmãos. Somos todos índios, sejamos: primários, secundários ou contemporâneos, a luta deve continuar”. Com a palavra outro suplicante agradeceu os ensinamentos do grande espírito e conclamou a todos a resistência. No fim, outro suplicante disse que tínhamos que mobilizar o povo para ocupar o museu, pois estamos em estado de alerta, conclui.

Reflexão do Quadro Atual
A situação da Aldeia Maracanã, Museu do Índio, remetem uma reflexão do quadro atual, cuja nova orientação é pela criação do museu Olímpico do COB. A luta, a mobilização da sociedade civil, deve continuar.

Kalapalo e os ensinamentos do Grande Espírito - Síntese
Em outra cerimônia, outro dia, o pajé, Kalapalo em uma cerimonia de evocações aos espíritos, transmitiu o recado dos espíritos que habitam o Museu do Índio, dizendo: “Vilas Boas, Darcy Ribeiro, e outros espíritos aqui presentes, ficaram muito tristes se esse museu for demolido para dar lugar a um estacionamento”. Bom! nesse aspecto podemos dizer que houve vitória parcial, uma vez que vai ser restaurado para dar lugar o Museu do COB.

Paralelo entre Kalapalo e Luiz Tsiipré Figueiredo
Os interpretes do deus adorado, tanto Kalapalo, como Luiz Tsiipré, defendem a manutenção da Aldeia Maracanã, Segundo eles: O museu do Índio deve permanecer. A verdade é que seja como museu do COB, Universidade Indígena, Museu do índio, ou Centro Cultural, os espíritos vão permanecer habitando o espaço.

 

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