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Loterias estaduais, o novo ataque da máfia do jogo


Por: Érika de Castro

Rio - A máfia dos jogos ilegais tinha interesse em expandir seus negócios pelo País. Considerado pela Polícia Federal (PF) um dos maiores “bingueiros” do Rio, o vice-presidente da Associação de Administradores de Bingos e Similares do Estado do Rio de Janeiro (Aberj), José Renato Granado Ferreira, articulava a construção de fábricas de máquinas eletrônicas de bingo e de loterias em pelo menos seis estados.

Segundo investigações, dois empresários estavam interessados no negócio. Um deles seria um argentino ligado ao ramo de máquinas e o outro, um representante da IGT na América do Sul, uma das maiores empresas de jogos on-line do mundo. Pernambuco e Rio de Janeiro, de acordo com a PF, seriam os principais alvos.

No Estado do Rio, segundo a PF, o contato é feito com Sérgio Ricardo, presidente da Loterj, por meio de um homem identificado como Daniel, provavelmente primo de Sérgio Ricardo e um dos advogados de Granado. Escutas telefônicas gravadas em 23 de fevereiro mostram que o “bingueiro” Granado liga para o celular de Sérgio Ricardo dizendo “que o ingresso do primo dele está separado”.

Em março, o presidente da Loterj anunciou a O DIA que estudava projeto de legalização dos bingos, criação de raspadinha on-line e, a médio prazo, regulamentar o jogo do bicho. Sérgio Ricardo foi procurado pela reportagem, mas, segundo sua assessoria, estava viajando e não podia ser localizado.

No organograma da PF, Granado aparece como um dos responsáveis por ligar os intermediários (advogados e policiais) aos bicheiros Antônio Petrus Kallil, o Turcão, Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, e Aniz Abrahão David, o Anísio. Os quatro e o presidente da Aberj, Paulo Roberto Ferreira Lino, estão presos. Nas gravações da PF, Granado chega a ser chamado de “menino do Anísio” pelo desembargador do TRT de Campinas, Luiz Ernesto Dória.

Nas conversas, Granado, dono da Betec Games — empresa beneficiada por decisões judiciais liberando caça-níqueis — e de dezenas de casas de jogos, não especifica quais os tipos de máquinas eletrônicas que pretendia fabricar. Mas a polícia acredita que seriam de videobingos e videopôquer.

Além do Rio, Granado também faz contatos com Pernambuco. A negociação parece adiantada e é feita através de um homem chamado Ângelo, que fala com dirigentes da Agência Reguladora de Pernambuco. O órgão fiscaliza lá as atividades lotéricas estaduais, imprimindo caráter de legitimidade e transparência aos jogos.

Segundo as investigações, as negociações também são feitas em Minas Gerais, Santa Catarina, Paraíba e Mato Grosso, todas com intermediários. Gravações telefônicas da PF mostram que Granado diz que quer abrir filial da empresa Betec em Florianópolis (SC), para se cadastrar na loteria de lá.

Exploração de jogos pela Internet estava nos planos de Granado. Chamado de “lojinha da Internet”, o negócio já estava funcionando em bingo de Belo Horizonte. Em conversas, ele diz: “Tô cozinhando a turma de Minas aguardando isso. Eles estão doidos. Tem Minas e Rio para a gente”. Em janeiro, segundo investigações, Granado foi à Argentina para conhecer os jogos similares.

 

Fonte: www.odia.com.br

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