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Crianças Projeto Mel do Catete são aprovadas na Escola de Dança dp Teatro Municipal

Há um mês, quatro ex-alunas do núcleo MEL (Movimento de Esporte e Lazer) Tavares Bastos, no Catete, coordenado pela Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, não escondem seu entusiasmo: elas agora fazem aulas de balé num dos mais prestigiados locais do Centro do Rio, a Escola de Dança Maria Olenewa, do Theatro Municipal. Mas a sensação de sucesso não abalou o entusiasmo das meninas, que continuam se esforçando para alcançar o sonho de integrar o corpo de baile do Theatro Municipal.

Desde o início de março, as alunas Luana Braga, Milena Cavalcanti e Andressa Andrade, 8 anos e Pâmela Oliveira, de 11, descem toda a Rua Tavares Bastos, no Catete, e vão a pé até a Escola de Dança, localizada na rua Visconde de Maranguape, 15, na Lapa. O cansaço da caminhada não é nada se comparado aos rodopios, às flexões e aos alongamentos que fazem na sala de aula.

Todas elas, há cerca de quatro anos, entraram para as aulas gratuitas de balé no núcleo do MEL. Eu sempre quis fazer balé, mas nunca tive oportunidade”, contou Andressa Andrade. “Quando uma amiga disse que tinha aula lá na comunidade, eu pedi para minha mãe me inscrever na hora”, completou. O mesmo aconteceu com Milena Cavalcanti: “Fiquei sabendo das aulas através da minha irmã e entrei. No começo, não me empolguei muito, mas com o tempo comecei a gostar das aulas”. A indiferença inicial de Milena tem motivo: ela já se dedica às aulas de violoncelo. “Hoje gosto muito dos dois”, concluiu.

Luana, Milena, Andressa e Pâmela eram da equipe das cerca de 70 crianças que praticam balé de segunda a sexta-feira, das 17h às 21h, no núcleo da Prefeitura, na rua Tavares Bastos 414, no Catete. O local, simples, é bem diferente da sofisticação da Escola Maria Olenewa. Mesmo assim, formou esses talentos e continua descobrindo novas bailarinas. A professora do núcleo Tavares Bastos descobre e indica quem são os novos talentos com determinação para passar no teste para a Maria Olenewa.

As meninas foram aprovadas no concorrido teste feito em janeiro, entre 1.300 candidatas com excelentes níveis básicos e técnicos. Algumas delas já fizeram o teste mais de uma vez. Pâmela Oliveira, por exemplo, não passou na primeira tentativa. “Ano passado eu fiquei tão nervosa que não consegui dançar no teste. Saí de lá chorando”, lembrou. “Esse ano eu saí chorando, mas de alegria.” Em 2006, as alunas do Tavares Bastos já tinham uma representante na Maria Olenewa: Milena de Carvalho, que está no primeiro ano do nível básico na escola. “Tinha idéia de que ia ser difícil, mas quando fiz o teste ano passado achei tão fácil que até desconfiei”, disse Milena. Suas quatro colegas admitidas em 2007, ainda no nível preliminar, também partilharam da mesma sensação. “Fiquei muito nervosa. Quando cheguei lá era tudo fácil”, concordou Luana Braga, lembrando a emoção do dia do teste. “Quando passei, todos começaram a chorar, berrar. Todo o mundo me abraçou. Foi muito legal.”

Mas não basta só passar no teste de admissão. As jovens terão que se esforçar cada vez mais nos anos seguintes. As alunas completarão o curso em nove anos e, só então, poderão prestar concurso para integrar o corpo de baile do conceituado Theatro Municipal. Qualquer reprovação poderá custar a vaga conquistada na Escola. Mas elas dizem estar preparadas: “Acho que consigo ir até o final”, afirmou Milena de Carvalho. E, quando o assunto é pensar em se tornar uma bailarina profissional, a resposta vem sem vacilo: “Claro!”, disse Luana otimista. “Para quem veio da favela para entrar na Escola de Dança Maria Olenewa, fazer parte do Theatro Municipal não é nenhum sonho impossível”, concluiu.

Dedicação e emoção também das mães

Todo esse esforço não teria sido possível se não fossem as mães responsáveis por essas bailarinas. Quando souberam do talento de suas filhas, não pouparam esforços para inscrevê-las no teste da Escola de Dança Maria Olenewa.

Bete Andrade, mãe de Andressa, lembra como foi essa experiência: “Ela sempre gostou de balé e só não começou a praticar antes por falta de oportunidade. Assim que soube da existência do núcleo do MEL na comunidade, eu inscrevi a Andressa”, contou a mãe. A idéia de fazer a inscrição para o teste da Escola Maria Olenewa foi da professora Giane Cabral. Segundo Bete Andrade, "se não fosse pelo apoio de Giane, nada disso teria acontecido. Fiz até economia para pagar a inscrição”, completou.

Katia Oliveira atribui o sucesso da filha Pâmela à dedicação. “Ela é muito dedicada. De vez em quando é até chata, mas vejo que foi esse empenho que fez com que ela conquistasse essa vaga”, afirmou Katia.

Mas a grande figura materna entre todas as meninas é Norma Azevedo, coordenadora do núcleo do MEL na Tavares Bastos. É ela quem incentiva as mães da comunidade a colocarem suas filhas nas aulas gratuitas realizadas no local. “Minha mãe só me inscreveu na aula porque a Norma dizia que eu tinha jeito de bailarina e ela ficou convencida”, contou Luana Braga. Norma não esconde a emoção: “Fiquei muito feliz! Isso é uma prova de como um pequeno incentivo pode trazer um grande resultado para essas meninas”.

As aulas acontecem de segunda a sexta-feira e são divididas em cinco turmas:

Horário Idade
das 17h às 18h de 4 a 6 anos
das 18h às 19h das 7 a 9 anos
das 19h às 20h de 10 a 13 anos
das 20h às 21h de 14 a 18 anos

Mais informações sobre o projeto e outros núcleos podem ser obtidas na Central de Atendimento SMEL através do telefone 2497-4839.

Texto: Augusto Castro (estagiário SECS)
Fotos: Alberto Jacob e Leandro Marins

Fonte: www.rio.rj.gov.br

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