Lula
lança o PAC da Educação
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula
da Silva e o ministro da Educação, Fernando
Haddad, lançaram nesta terça-feira, no Palácio
do Planalto , o Plano de Desenvolvimento da Educação
(PDE), chamado de "PAC da Educação".
Em discurso, Lula salientou que "nada é mais
importante hoje do que a capacitação dos
brasileiros".
Segundo
Lula, o plano é um "passo gigantesco"
para a melhoria do ensino, pois vai permitir a definição
de um piso salarial para o magistério, um acesso
mais democrático à universidade, ampliar
em 100 mil o número de bolsas do Pro-Uni, modernizar
o ensino técnico, reduzir as taxas de analfabetismo
e garantir qualificação do magistério.
"O
PDE nasce do esforço, antes de tudo, da nosso capacidade
de resolver todos os problemas, para isso, é indispensável
debater o ensino, a relação do Estado com
o ensino e a relação da família com
a educação", disse. "No primeiro
governo, lutamos contra muitas dificuldades e acabamos
com aquela lei absurda que impedia a construção
de novas escolas técnicas. Por isso nunca se criou
tantas universidades, escolas técnicas em tão
curto espaço de tempo", acrescentou.
As
iniciativas vão desde a instituição
de um programa de estímulo à leitura até
a definição de um piso salarial de R$ 850
para os professores em todo o país. Outra novidade
é o lançamento de um edital no valor de
R$ 75 milhões para incentivar a produção
de conteúdos didáticos digitais. O piso
salarial dos professores terá uma implantação
gradual até 2010, para não afetar o orçamento
de estados e prefeituras.
Segundo
Lula, o PDE vai tornar realidade os compromissos firmados
durante a campanha eleitoral na área de educação.
Entre eles, o aumento de vagas na universidades, a ampliação
de bolsas para o ensino superior, a reestruturação
das universidades públicas, a modernização
do ensino profissionalizante e a recuperação
do atraso na alfabetização, especialmente
no Nordeste.
“O
Plano de Desenvolvimento da Educação vai
abrir universidade para o povo. Vai transformar gradativamente
o Brasil no país mais democrático do mundo
no acesso a universidade”, afirmou Lula.
Uma
das principais medidas do plano na educação
superior é ampliar o acesso, com meta de dobrar
o número de vagas, que hoje, segundo o MEC, é
de 580 mil.
Lula
afirmou que vai "ficar no calcanhar" de assessores
e do ministro da Educação, Fernando Haddad,
para que o plano seja implantado.
PED
e PAC, "anéis de uma mesma corrente"
Para
Lula, o conjunto de medidas para a educação
é complementar ao Programa de Aceleração
do Crescimento (PAC). Juntos, os dois projetos asseguram
a construção de um novo Brasil, na opinião
de Lula:
"Para
diminuir a desigualdade entre as pessoas, a alavanca básica
é a educação. Para diminuir a desigualdade
entre as regiões, a alavanca básica são
os grandes programas de desenvolvimento que ampliam a
infra-estrutura produtiva e social. Dessa forma, PAC e
PDE são anéis de uma mesma corrente em favor
da construção de um novo Brasil”,
avalia o presidente.
Segundo
ele, o Plano de Desenvolvimento da Educação
garante um aumento significativo de recursos para a educação.
“Eu quero ser testemunha aqui de que o companheiro
Guido Mantega [ministro da Fazenda] e Paulo Bernardo [ministro
do Planejamento] nunca tiveram tão mão aberta
para que a gente pudesse concluir esse programa.”
O
lançamento do plano é feito na Semana de
Educação para Todos, que teve início
ontem com o objetivo de lembrar o compromisso assumido
no Fórum Mundial de Educação em Dakar
(Senegal), em 2000, de reduzir à metade o número
de analfabetos até 2015.
Conheça
os principais pontos do PDE:
*
Criação do Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica (IDEB) e apoio
às prefeituras que têm os indicadores educacionais
mais baixos. O IDEB leva em conta o rendimento dos alunos,
a taxa de repetência e a evasão escolar.
Se fosse avaliada hoje, a educação básica
brasileira teria uma média aproximada de quatro
pontos, numa escala que vai de zero a dez. Nos próximos
15 anos, o Brasil terá que alcançar nota
seis no IDEB, a mesma média dos países da
Organização para a Cooperação
e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O Ministério
da Educação (MEC) vai investir cerca de
R$ 1 bilhão em 2007 - recursos adicionais ao Fundo
da Educação Básica (Fundeb) - para
atender os mil municípios com os piores índices.
Os especialistas do Ministério vão recomendar
ações como o acompanhamento individual das
crianças, desenvolvimento de atividades culturais
e esportivas no contraturno escolar, participação
da comunidade nos Conselhos de cada escola e criação
de Conselhos Municipais de Educação.
*
Implantação da Provinha Brasil, para avaliar
a alfabetização de crianças de 6
a 8 anos.
*
Crédito de R$ 600 milhões do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para
compra de ônibus e até barcos destinados
ao transporte escolar. São R$ 300 milhões
para o Programa Caminho da Escola, atendendo alunos da
Educação Básica das redes públicas
na zona rural, e R$ 300 milhões para o Proescolar,
voltado para alunos das redes estadual e municipal, das
zonas rural e urbana. A indústria automobilística
criou um veículo padrão, de custo mais baixo,
para transportar as crianças com segurança.
*
Olimpíada de Língua Portuguesa, a ser realizada
em 2008, com a participação de cerca de
80 mil escolas e 7 milhões de alunos.
*
Informatização de todas as escolas públicas,
com instalação de laboratórios de
informática em todas as escolas até 2010.
Os computadores já foram adquiridos e despachados
a todas as 27 unidades da Federação, em
acordo com os secretários de educação.
Em seguida, serão atendidas as escolas urbanas
de 5ª a 8ª séries com mais de 200 alunos
e todas as escolas rurais com mais de 50 alunos. Nos dois
últimos anos, o atendimento estará voltado
para as demais. No total, serão beneficiadas 130
mil escolas, com um investimento de R$ 650 milhões.
*
Até 2008, o governo pretende levar energia elétrica
para todas as escolas públicas do País por
meio do Programa Luz para Todos.
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O Ministério da Educação e Ministério
de Ciência e Tecnologia vão lançar
edital no valor de R$ 75 milhões para estimular
a produção de conteúdos didáticos
digitais.
*
O Plano prevê também a criação
de um piso salarial de R$ 850 para todos os professores
da rede pública do País, com implantação
gradual até 2010, de forma a não comprometer
o orçamento dos estados e municípios.
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Até 2010, serão implantados mil pólos
de formação de professores em todo o País,
principalmente nas pequenas e médias cidades do
interior, numa parceria das universidades públicas
com as prefeituras. Trata-se do Programa Universidade
Aberta, que mescla o ensino presencial com a modalidade
a distância. Além de suprir a demanda de
professores, a medida servirá para fixar o profissional
em sua cidade ou região, evitando a perda de pessoas
capacitadas para os grandes centros urbanos.
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De acordo com o PDE, o Programa Brasil Alfabetizado terá
um novo desenho. Pelo menos, 75% dos alfabetizadores serão
professores da rede pública municipal e estadual.
Ao todo, 100 mil professores vão receber, além
do salário, uma bolsa de R$ 200 reais por mês
para alfabetizar adultos no turno em que não estão
lecionando para as crianças.
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Na área da educação profissional,
o Plano prevê a instalação de 150
escolas técnicas nas cidades-pólo, escolhidas
a partir dos critérios de interiorização
do desenvolvimento e criação de oportunidades
para que o jovem do interior não abandone sua cidade.
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Também serão criados os Institutos Federais
de Educação Tecnológica (IFET"s),
com a missão de ofertar educação
pública para fortalecer os arranjos produtivos
locais.
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Na Educação Superior, a principal medida
é a ampliação do acesso, com meta
de dobrar o número de vagas, que hoje são
580 mil. Segundo o PDE, as universidades federais que
abrirem ou ampliarem cursos noturnos e reduzirem o custo/aluno
vão ganhar mais verbas.
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A articulação entre o Fies e o ProUni vai
permitir o financiamento de 100% das bolsas parciais do
ProUni e a quitação da dívida ativa
consolidada das Instituições de Ensino Superior.
A expectativa é de que o novo programa poderá
gerar 100 mil vagas por ano.
Fonte:
www.odia.com.br