Por: Djalma Oliveira
Rio
- O governo federal bateu o martelo e definiu que será
criado um único fundo de previdência complementar
para todo o funcionalismo da União. A outra possibilidade
que estava em estudo era a criação de um
fundo para cada um dos três poderes (Executivo,
Legislativo e Judiciário), proposta defendida por
representantes sindicais dos dois últimos.
O
projeto de lei que regulamenta o fundo de previdência
da União será enviado, nos próximos
dias, para votação no Congresso Nacional.
A idéia de implantá-lo já existe
desde 2003, quando foi feita a Reforma da Previdência,
mas as regras não foram definidas até hoje.
A proposta é um importante passo rumo ao funcionamento
efetivo do fundo.
REFRESCO
NA FOLHA
Com
a mudança no sistema previdenciário do funcionalismo
federal, o governo pretende retirar de suas costas parte
do peso de pagar aposentadorias e pensões dos servidores
e de seus dependentes. A União passaria a arcar
apenas com o montante limitado ao teto do INSS (atualmente
de R$ 2.801).
A
diferença entre esse valor e o salário da
ativa vai ficar por conta do fundo, que será o
maior do País, superando a Previ — dos funcionários
do Banco do Brasil.
Contribuição
será de 7,5% do salário
O
percentual de contribuição dos servidores,
outra dúvida que pairava sobre o fundo de pensão,
foi resolvido pela União: quem aderir vai descontar
7,5% do salário. Parte desse valor vai custear
os benefícios de risco, gerados nos casos de morte
e invalidez do associado.
Para
o pagamento do teto do INSS, continuarão sendo
descontados, obrigatoriamente, 11% do servidor. O diretor
da Confederação dos Trabalhadores no Serviço
Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo
da Silva, considera pesado o desconto total de quem aderir
ao fundo de pensão — 18,5%, somadas as duas
contribuições: "Com os salários
arrochados como estão, é uma carga grande".
Quem
já é servidor ou vier a ingressar na União
antes da implantação do fundo terá
respeitados seus direitos adquiridos. Só mudarão
do atual para o novo regime se quiserem. Caso prefiram
permanecer, terão a aposentadoria integral bancada
pelo governo. A mudança vale somente para quem
é estatutário, uma vez que os celetistas
da União (Banco do Brasil, Correios e Caixa Econômica
Federal, entre outros) já possuem seus próprios
fundos de pensão.
AS
REGRAS
-
O novo fundo de pensão não será obrigatório
para nenhum servidor. Quem entrar na União após
a implantação e não quiser aderir
só vai receber de aposentadoria do governo o equivalente
ao teto do INSS, atualmente R$ 2.801. Para essa parte
do benefício, o desconto continua a ser 11%.
-
Cada servidor deve analisar sua situação
antes de decidir o que fazer. O ministro do Planejamento,
Paulo Bernardo, acredita que quem entrou no serviço
público federal a partir de janeiro de 2004 deve
migrar para o fundo.
-
O fundo será paritário: a União vai
investir nele a mesma quantia que os trabalhadores. A
alíquota de contribuição de cada
servidor será de 7,5%.
-
Os atuais funcionários federais também poderão,
se desejarem, ingressar no fundo. Mas quem não
se interessar por ele irá receber normalmente sua
aposentadoria integral, paga pelo governo.
-
O projeto de criação do fundo de aposentadorias
e pensões da União ainda precisa ser aprovado
pelo Congresso Nacional.