ATERRO
DE PARACAMBI PODERÁ CAUSAR DANOS A RECÉM CRIADA
APA DO GUANDU AUMENTANDO A VULNERABILIDADE DO ABASTECIMENTO
DE 8 MILHÕES DE PESSOAS DO GRANDE RIO
Na
próxima terça-feira dia 10 de abril às
19:00 ocorrerá a 1ª Audiência Pública
para o pedido de licença de instalação
do Centro de Tratamento de Resíduos Sólidos
do Município de Paracambi no Rio de Janeiro.
O
pedido para a construção deste aterro sanitário
se deve à necessidade da imediata interdição
e remediação do Lixão da Cidade que
recebe 21 toneladas de resíduos sólidos urbanos
de forma criminosa e precária a mais de 35 anos segundo
o Relatório de Impactos Ambientais apresentado pela
empresa Biodinâmica e a Prefeitura Municipal de Paracambi
no ano de 2003, com influência direta no Ribeirão
das Lages principal tributário da Bacia do Rio Guandu
que abastece a estação de tratamento de águas
da CEDAE para atender a demanda de toda a região
metropolitana do Rio de Janeiro.
Embora
a construção deste aterro seja necessária
para erradicar o atual lixão de Paracambi, inúmeros
são os impactos ambientais que poderão ocorrer
de forma potencial e freqüente em uma nova área
pertencente à Bacia do Rio Guandu, que poderá
colocar em risco o abastecimento da população
do Rio de Janeiro caso haja um vazamento no aterro. Ecologistas
e técnicos querem que sejam analisadas outras alternativas
de localização do empreendimento, bem como
alterações no projeto que incluam o aproveitamento
energético da matéria orgânica (maior
fonte poluidora do lixo produzido na cidade), bem como a
implantação da coleta seletiva e programas
de reciclagem que ajudariam a reduzir na fonte geradora
o montante (grande volume) de lixo que será destinado
ao futuro aterro sanitário.
Devido
a sua importância, no dia 22 de março deste
ano a Bacia do Guandu foi transformada em uma Unidade de
Conservação (Área de Proteção
Ambiental) com argumento das autoridades estaduais de que
seria intensificado sua fiscalização e proteção.
Segundo
o Ambientalista Sérgio Ricardo e o Prof. Felipe Brasil
Coordenador do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade
Severino Sombra de Vassouras, qualquer empreendimento desta
magnitude deve ser estudado com cautela devido à
proximidade do Guandu, além disso, segundo estes
especialistas, o estudo de Impacto Ambiental apresentado
para a Prefeitura em 2003 deverá ser revisado, atualizado
e amplamente discutido com a sociedade, uma vez que já
se passaram 4 anos, e não estão bem claros
os potenciais impactos ambientais diretos e indiretos, que
poderão ocorrer em função da área
do aterro estar inserida na Bacia do Guandu com grande parte
sob solos de baixada com grande influência do Lençol
Freático, além de Paracambi ser um município
com grande potencial de enchentes durante o período
de Verão.
De
acordo com Felipe Brasil "Outro ponto falho do estudo
é a forma como será realizada a desativação
e remediação do atual lixão, inclusive
com relação à questão das famílias
e catadores que conviveram durante todos estes anos de forma
direta ou indireta com a infiltração do chorume
(percolado produto da decomposição da Matéria
Orgânica) no aqüífero e no Rio dos Macacos,
além da ingestão diária da fumaça
das queimadas do lixão e a incidência constante
de vetores".
Sérgio
Ricardo, coordenador do Fórum de Meio Ambiente da
Baía de Sepetiba, "receia que o antigo Lixão
instalado na cidade possa ser esquecido pelas autoridades,
sem que as medidas mitigadoras e de recuperação
ambiental e do solo, bem como de despoluição
do Rio dos Macacos, que são necessárias para
sua remediação/descontaminação
tenham sido efetivadas ou previstas pela Prefeitura. Não
basta apenas construir um novo aterro sanitário,
que irá contaminar outra área e os corpos
hídricos, é fundamental prevê agora
uma solução definitiva e recursos financeiros
para resolver o passivo ambiental já existente".
ATERROS
SANITÁRIOS NÃO SÃO SOLUÇÃO
DEFINITIVA:
Os
especialistas apresentarão na Audiência Pública
um parecer que condena a alternativa apresentada de construção
de um aterro sanitário, indicando outras opções
tecnológicas mais modernas e ambientalmente sustentáveis,
como a reciclagem, a coleta seletiva e o aproveitamento
do biogás que gera energia e combustível para
veículos. Segundo Sérgio "Os aterros
não apresentam viabilidade econômica (encarecem
os custos das prefeituras), o mais moderno é criar
Ecopólos Energéticos que geram receita financeira
dos Créditos de Carbono (previstos no Protocolo de
Kyoto), além da receita proveniente dos recicláveis
e do adubo orgânico".
Segue
trecho do parecer que será encaminhado aos Ministérios
Públicos federal e estadual: A solução
convencional de implantação de aterros sanitários,
uma alternativa ambientalmente mais correta quando comparada
aos vazadouros (lixões), tem, nesse tipo de descarte
dos RSU, uma solução não definitiva,
eis que a área destinada para aterro se esgota com
o tempo. Além disso, a solução de aterro
sanitário deve ser entendida como ambientalmente
criticável, socialmente injustificável e economicamente
não recomendável. Entenda-se que a sua operação
está, permanentemente, sujeita aos riscos de danos
ambientais por contaminação do solo e dos
recursos hídricos com infiltração de
chorume e da atmosfera pela emanação de gás
metano. Considere-se ainda que, após sua desativação,
deixa, como herança, uma área absolutamente
degradada que exigirá um monitoramento para o controle
de
emissões de poluentes - líquidos e gasosos
- por mais de 25 anos. Também, não favorece
a atividade de reciclagem de materiais, conseqüentemente
não gera ocupação e renda, deixando
de promover a inclusão social de certo contingente
humano da camada mais desfavorecida da população
(catadores). Ademais, não permite a conservação
de energia (conseqüente da reciclagem de materiais)
e a de sua geração imediata pela fermentação
da fração orgânica ou, eventualmente,
quando aplicável, pela incineração
da fração combustível seca (Combustível
Derivado de Resíduos - CDR). Tampouco, produz o composto
orgânico para uso intensivo em atividades agrícolas
ou agro-industriais (como produção de biodiesel),
deixando, mais uma vez, de promover a ocupação
produtiva de um segmento da população socialmente
excluída.
Computados
todos esses inconvenientes para uma solução
de destinação dos RSU, através de aterro
sanitário, acrescente-se, ainda, que essa solução
impõe aos municípios um custo permanente,
na faixa de R$ 40,00 a R$ 60,00 por tonelada de lixo ali
descartado, independentemente dos custos de transbordo e
transporte até a área destinada ao aterro,
normalmente situadas a distâncias cada vez maiores
das áreas urbanas de coleta. Ponderados todos esses
fatores negativos, ainda assim, a decisão em favor
de aterro só se torna viável se a área
destinada para esse fim estiver localizada no mesmo município
em se que dá a coleta ou, caso contrário,
outros fatores de caráter institucional e político,
de difícil solução, se farão
presentes.
A
formulação de um PROJETO que pretenda resolver,
com propriedade, a questão da destinação
final dos RSU deve resultar, preferencialmente, numa solução
definitiva, ou seja, que não se esgote com o uso,
como é o caso dos aterros sanitários. Para
se alcançar esse objetivo torna-se necessário
aprimorar as capacidades e instrumentos das administrações
municipais para agregar os aspectos sociais, culturais,
políticos, institucionais, técnicos, logísticos
e econômicos associados a um programa para Gerenciamento
Integrado dos RSU, o qual deve, obrigatoriamente, se ajustar
às características de cada Município
ou conjunto de Municípios, organizados em Consórcios
Inter-Municipais ou em Comitês de Bacias Hidrográficas
(estes últimos previstos nas leis federal e estadual
de gestão integrada dos Recursos Hídricos).
Daí a necessidade de um PROJETO que reflita as particularidades
de cada região, em particular quanto à quantidade
e qualidade de resíduos produzidos e a capacidade
regional de absorver a utilização dos materiais
resultantes da reciclagem e dos produtos gerados pelo tratamento
adequado da fração orgânica contida
nos resíduos, principal fonte de poluição
ambiental.
Maiores
informações:
Sérgio
Ricardo - tel. (21) 3366-1898, 9908-2773
Felipe
Brasil - tel. (21) 9359-0051 |