"E o Brasil perdeu a Varig! Perdendo a Varig,
o Brasil perdeu sua posição no setor aéreo
mundial". (Deputada Luciana Genro)
Pode
parecer um sonho, uma expectativa de milagre, mas eu ainda
tenho a convicção de que a Varig pode voltar
a ocupar seu espaço nos céus do Brasil e
do mundo. Quando falo Varig, refiro-me ao seu pessoal
- aeronautas, aeroviários e aeroportuários.
E a todos os aposentados e pensionistas que têm
direito à complementação pelo Aerus.
Vou
mais além: acho que a própria aviação
comercial brasileira pode retomar sua pujança,
com o resgate dos empregados que passaram e passam pela
mais amarga das experiências trabalhistas: foram
expurgados sem direito sequer aos salários atrasados.
É
por ter esta expectativa positiva que estou convidando
para uma audiência pública no plenário
da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, dia 4 de
maio, a partir das 9h30. Esse encontro pretende ter um
caráter afirmativo. Daí estarmos convidando
vários ministros do governo federal, dos quais
pelo menos um, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já
confirmou sua presença.
Daí
estarmos convidando o governador do Estado, o prefeito
da Cidade, todos os deputados federais, estaduais e senadores
do Estado do Rio, além de funcionários da
administração pública ligados às
questões do trabalho, previdência, turismo
e transporte aéreo.
STJ
julga defasagem tarifária
Nas
próximas horas, há uma possibilidade de
que o Superior Tribunal de Justiça se manifeste,
em caráter definitivo, sobre o antigo pleito das
companhias aéreas, comprovadamente afetadas pelo
congelamento de tarifas em 1986. Há um reconhecimento
incontestável dos prejuízos causados por
aquela medida, que quase tornou inviável a atividade
das companhias aéreas de então e que está
na raiz das crises subseqüentes enfrentadas por elas.
No
caso da Varig, estima-se que o governo deve pouco mais
de 5 bilhões de reais. Não sei se hoje ainda
prevalecem os cálculos, mas esses valores seriam
suficientes para garantir a sobrevivência da companhia,
facilitando sua recuperação, e o atendimento
aos compromissos do Aerus.
A
pendência poderá ser finalmente dirimida
no dia 25 de abril, quando o ministro Herman Benjamin,
da Primeira Seção do Superior Tribunal de
Justiça (STJ), deverá levar a julgamento
o agravo regimental referente à ação
de defasagem tarifária.
Há
uma mobilização de todos os profissionais
da ativa e aposentados para acompanharem o pronunciamento
da Justiça. Nove dias depois, estaremos realizando
o encontro na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Uma
decisão favorável dará suporte legal
para um desdobramento afirmativo em relação
a todos os que padecem de salários atrasados e
aposentadorias complementares reduzidas a quase nada.
Mas poderá levar o governo também a repensar
o quadro da nossa atividade aérea, considerando
seu caráter continental e sua importância
no mundo. A Varig, como você sabe, é uma
marca que se impôs entre as empresas mais respeitadas
e confiáveis da aviação internacional.
Há
indícios de que o governo federal poderá
reavaliar algumas posições adotadas no passado,
muitas das quais, como o abandono da Varig à própria
sorte, sob influência de lobbies domésticos,
capitaneados por quem confunde transporte aéreo
com sabão em pó.
A
presença do PDT no primeiro escalão do governo
e a nomeação do economista Luciano Coutinho
para o BNDES são sinais de que algo de diferente
está por acontecer. O BNDES é o maior banco
de fomento do mundo, com orçamento superior a 60
bilhões de reais. Nos últimos anos, esse
banco cuidou muito pouco de áreas estratégicas,
como a aviação comercial. Preferiu socorrer
empresas privatizadas, com as quais tem sido demasiado
generoso.
O
resultado foi essa trapaça pela qual um fundo norte-americano
classificado como "abutre" deitou e rolou. Em
julho do ano passado, foi sozinho a um leilão por
demais estranho, arrematou a marca e alguns ativos da
empresa por 24 milhões de dólares, ficando
por decisão judicial, com base numa perigosa lei
de "recuperação de empresas",
a salvo dos passivos de toda natureza, com o que ficaram
a ver navios os empregados, aposentados e credores.
Uma
frente para vencer
Oito
meses depois, sempre através de testas-de-ferro,
o fundo Martin Paterson revendeu a "nova" Varig
à Gol por 324 milhões de dólares.
Esta última transação ainda parece
nebulosa, tanto pelo "negócio da China"
conduzido pelo preposto Lap Chan, como pelas reais intenções
dos novos proprietários da Varig.
O
presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior, fez
várias declarações a serem conferidas.
Uma delas, a de que dobrará rapidamente a frota
de aviões da "Nova Varig" de 17 para
34, sendo 20 Boeing 737 e 14 Boeing 767, não fazendo
referência aos MD-11 que ainda operam na companhia.
Ele
afirmou também que tem a intenção
de trazer de volta o pessoal demitido da Varig para participar
dessa expansão, segundo ele, a pedido do próprio
presidente Lula. Mas nada disso pode ser entendido sem
uma avaliação dos próprios funcionários
que estão na luta pela salvação da
antiga empresa desde 2002. O objetivo do encontro na Câmara
Municipal do Rio de Janeiro é considerar todos
os aspectos desse drama que atinge a milhares de famílias
de todo o País.
É
bom que se frise o seu caráter afirmativo e sua
preocupação com todos os segmentos envolvidos
- aeronautas, aeroviários, aeroportuários
e participantes do Aerus. Se tivermos o mínimo
de lucidez e despojamento, estaremos abrindo uma frente
capaz de resgatar o tempo perdido e de estruturar o envolvimento
da sociedade e dos agentes políticos com forças
suficientes para corrigir um dos maiores desacertos já
cometidos no âmbito do transporte aéreo.
Essa
é a minha intenção. É a minha
expectativa. Daí insistir numa mobilização
unida que não se restrinja ao evento do dia 4.
Eu diria que os ventos são outros. Pode parecer
excesso de otimismo, mas nenhuma luta é vitoriosa
senão parte do princípio de que sua justeza
a levará a resultados positivos, mais dia, menos
dia, de uma forma ou de outra. Portanto, espero que você
compareça à audiência com pensamento
afirmativo, acreditando que ela será um encontro
importante para o resgate do direito de todos. E para
o bem do Brasil.
Pedro
Porfírio
www.pedroporfirio.com