Concurso
interno: um complemento ao concurso público
Capital
intelectual, gestão de conhecimento, capacitação,
carreiras e resultados são palavras que se tornaram
prioridade no dia-a-dia do administrador público.
Mas desenvolver e comprometer o capital humano na Administração
Pública é assunto que requer estratégia
e investimento.
A
Constituição de 1988 representou marco para
a Administração Pública brasileira.
Passou a exigir a realização do concurso
público para o ingresso nos quadros do funcionalismo.
O que visou, em última análise, dar fim
ao preenchimento de postos por apadrinhados dos detentores
ocasionais do poder.
Após
1988, os cargos efetivos passaram, obrigatoriamente, a
ser preenchidos pelo mérito daqueles que se submetiam
ao concurso público. De fato, uma das grandes conquistas
da cidadania concernentes à Administração
Pública.
Porém,
para se ter capital humano motivado, capacitado e comprometido
com o trabalho, é preciso ter uma gestão
eficiente destes recursos (humanos). E como maximizar
a utilização das capacidades através
de treinamento continuado e incentivo de ascensão
funcional é algo cada vez mais necessário,
o retorno do concurso interno é uma saída.
Nas
últimas décadas, avanços tecnológicos
criaram uma realidade dispare daquela de 15 ou 20 anos
atrás. A informática e o sistema de transmissão
de dados, para situar-nos num pequeno segmento dinâmico,
revolucionaram as relações de trabalho e
a forma deste ser conduzido. E pela simplificação
e rapidez, muitos procedimentos, especialmente nos trabalhos
de escritório, deixaram de ser feitos por assistentes
e auxiliares. Por exemplo, as tarefas de um operador de
Telex tornaram-se obsoletas. Todas as informações
chegam diretamente nos correios eletrônicos das
chefias.
Neste
quadro, os concursados em áreas do setor público,
de baixa ou nenhuma utilidade, tornam-se mão-de-obra
redundante ou em excesso às necessidades de trabalho.
Sofrem os funcionários com o desterro funcional
e penaliza-se a sociedade com obrigações
trabalhistas que só se mantêm em decorrência
do anacronismo da legislação.
O
aproveitamento prioritário da mão-de-obra
alocada em serviços tecnologicamente superados
representa chance de ajustamento das finanças públicas,
de forma correta. Diminuem-se os incentivos para medidas
econômica e socialmente prejudiciais (representadas
pelo corte em investimentos) e, não menos importante,
mantém-se o controle do setor público sobre
resultados, uma vez que o sistema de seleção
é a ferramenta que garante a boa qualidade da mão-de-obra.
Além
disso, é claro, gestores públicos devem
esforçar-se para dar maior qualidade à seleção
de candidatos e criar mecanismos de valorização
profissional. Deve-se também, haver esforço
de substituição da terceirização
por servidores concursados.
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Indio da Costa é deputado federal pelo DEM