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MORTE DE CAÇADOR EM TINGUÁ PODE TER SIDO "QUEIMA DE ARQUIVO"


PROMESSAS DE "ADOÇÃO" DA RESERVA BIOLÓGICA FEITAS PELO MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE E PETROBRAS NAO FORAM CUMPRIDAS

O caçador Leonardo de Carvalho Marques, de 23 anos, foi morto a tiros no último dia 14 de novembro nas proximidades da Reserva Biológica Federal do Tinguá, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Em fevereiro de 2005, Leonardo matou com um tiro de escopeta desferido pelas costas o ambientalista DIONÍSIO JÚLIO RIBEIRO FILHO, que militava em defesa da reserva.

O crime alcançou repercussão mundial na ocasião. Dionísio (popularmente conhecido na região como "Seu" Júlio) era muito querido pela comunidade e revelou-se um incansável defensor da REBIO-Tinguá, da qual tinha sido um dos fundadores, em 1988. O ecologista não dava tréguas a caçadores e palmiteiros que infestam aquela região, mal protegida pelo IBAMA. Testemunhas contaram à época que o caçador Leonardo nutria verdadeiro ódio pelo ambientalista assassinado, em razão de ter sido constantemente denunciado à polícia por Dionísio Júlio Ribeiro.

Queima de arquivo

Jurado de morte por Leonardo e outros caçadores, "Seu" Júlio foi covardemente assassinado por ele com um tiro pelas costas quando voltava para casa, após participar de uma reunião na Associação de Moradores de Tinguá.

Preso horas mais tarde pela polícia, Leonardo confessou a autoria do crime. Em seu depoimento, contou que houve um churrasco organizado por palmiteiros e caçadores em Tinguá, onde a morte do ambientalista foi tramada. No evento, uma "caixinha" foi organizada pelos criminosos para comprar a arma e contratar o atirador que faria o serviço. Soube-se também que havia uma lista de dez ecologistas marcados para morrer depois de "Seu" Júlio, que encabeçava a relação.

Após pressão dos movimentos sociais e ambientais, Leonardo foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri da Comarca de Nova Iguaçu em 2006. Tendo sido surpreendentemente inocentado pela morte do ecologista. No veredicto que o livrou da cadeia, os jurados alegaram "falta de provas" que pudessem incriminá-lo, apesar de Leonardo ser réu confesso. O Ministério Público recorreu para anular a sentença do Júri, mas até agora não houve novo julgamento.

Para os ativistas que atuam na região, o assassinato de Leonardo de Carvalho Marques pode ter sido "queima de arquivo", opinião compartilhada pelos militantes da causa ecológica Ricardo Portugal e Sérgio Ricardo. Segundo eles, Leonardo podia estar sendo ameaçado, uma vez que respondia também em outro processo por homicídio. Na época do crime que tirou a vida de "Seu" Júlio, a polícia descobriu o corpo de uma mulher enterrado no quintal da casa do caçador, às margens da Reserva Biológica do Tinguá. Leonardo confessou que a matou a golpes de foice, depois de uma discussão. Ele revelou que a moça era "garota de programa".

Apesar do assassinato de Dionísio Júlio Ribeiro ter alcançado repercussão internacional, a imprensa agora não deu uma linha sequer sobre a morte do caçador, que matou o ambientalista em fevereiro de 2005.

Leonardo foi morto a tiros no último dia 14/11 no interior do ônibus da empresa Elmar, que faz a linha Tinguá-Nova Iguaçu. De acordo com testemunhas, marginais anunciaram um assalto e o caçador foi alvejado quando tentava saltar do ônibus. Policiais da 58ª DP (bairro da Posse) em Nova Iguaçu investigam o caso.


RESERVA DO TINGUÁ CONTINUA ABANDONADA: SEM VEÍCULOS, SEM APARELHOS DE COMUNICAÇÃO PARA OS FISCAIS AMBIENTAIS, POUCOS FUNCIONÁRIOS, A UNIDADE DE CONSERVAÇÃO NÃO DISPÕE ATÉ HOJE DE SEU PLANO DIRETOR, O CONSELHO GESTOR QUE DEVERIA REUNIR PREFEITURAS, GRUPOS AMBIENTALISTAS E O IBAMA ESTÁ ESVAZIADO E NÃO SE REUNE HÁ TEMPOS! A BRIGADA DE COMBATE A INCÊNDIOS FLORESTAIS FORMADA POR MORADORES DO TINGUÁ FOI INEXPLICAVELMENTE EXTINTA!

NA SEMANA QUE "SEU" JULIO FOI ASSASSINADO - DIANTE DA REPERCUSSÃO INTERNACIONAL DO CASO - A MINISTRA DO MEIO AMBIENTE, MARINA SILVA, E O PRESIDENTE DA PETROBRAS NA ÉPOCA, JOSÉ EDUARDO DUTRA, SOBREVOARAM A REGIÃO E PROMETERAM DIANTE DE TODA A IMPRENSA NACIONAL E ESTRANGEIRA QUE A EMPRESA "ADOTARIA" A RESERVA DO TINGUÁ PARA COMPENSAR A PASSAGEM DE DUTOS (OLEODUTOS) NO INTERIOR DA REBIO, QUE APRESENTAM ELEVADO RISCO DE EXPLOSÕES E INCÊNDIOS QUE PODERÁ PROVOCAR DANOS IRREPARÁVEIS À RESERVA BIOLÓGICA.

FOI PROMETIDO AINDA PELO GOVERNO FEDERAL A CONTRATAÇÃO DE MAIS FISCAIS E AGENTES AMBIENTAIS, DE NOVOS VEÍCULOS E APARELHOS DE COMUNICAÇÃO PARA TORNAR MENOS ARRISCADA A AÇÃO DE FISCALIZAÇÃO, ENTRE OUTRAS PROMESSAS INFELIZMENTE NÃO CUMPRIDAS. A RESERVA ABRANGE 6 MUNICÍPIOS COM 2.600 HECTARES E ENCONTRA-SE COMPLETAMENTE DESPROTEGIDA CONTRA A AÇÃO DOS CRIMINOSOS AMBIENTAIS.

COM ISSO OS ECOLOGISTAS DEFENSORES DO TINGUÁ E OS POUCOS FUNCIONÁRIOS DO IBAMA CONTINUAM EM SITUAÇÃO DE RISCO E COM SUAS VIDAS AMEAÇADAS. ESPERAMOS NÃO TER QUE ENTERRAR MAIS ECOLOGISTAS POR DEFENDEREM O TINGUÁ E A MATA ATLÂNTICA FLUMINENSE!


INVESTIGAÇÃO PRIORITÁRIA PROMETIDA PELO EX-SECRETÁRIO ESTADUAL DE SEGURANÇA, MARCELO ITAGIBA, NÃO ACONTECEU E MANDANTES DO ASSASSINATO DE ECOLOGISTA CONTINUAM IMPUNES.

Sérgio Ricardo

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