O
ministro das Comunicações, Hélio
Costa, também foi categórico: "O conversor
vai cair de preço". O receio do governo é
de que os preços dos conversores no mercado - o
mais barato sai a R$ 499, mas os aparelhos preparados
para a alta definição custam mais de R$
1 mil - acabem comprometendo o sucesso da TV digital.
Quando
o governo escolheu o padrão japonês para
a TV digital brasileira, em 2006, falava-se que o conversor
mais simples custaria em torno de R$ 100. A própria
escolha do sistema japonês exerce sua influência
sobre o preço: embora tenha suas vantagens em relação
a outras tecnologias, requer conversores mais caros justamente
pelo fator escala - o ISDB funciona somente no Japão.
Como o Brasil fez algumas modificações na
tecnologia, criando um sistema próprio, o problema
de escala se acentua.
A
ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, também falou
na solenidade. "Quando começamos, essa data
(de inauguração) parecia uma quimera. Trabalhamos
em conjunto e chegamos aqui". A ministra ressaltou
ainda os benefícios da nova TV. "Toda a população
poderá acompanhar as imagens em alta resolução
em casa, no táxi, no ônibus. E poderá
ter acesso a serviços como marcar consultas médicas",
afirmou.
Hélio
Costa e Lula falaram ainda que a opção do
governo foi tornar a TV digital gratuita. "Avanços
serão acessíveis a todos os brasileiros.
A TV ficará mais próxima do espectador",
disse Lula no evento. E continuou: "Logo será
possível assistir à TV caminhando na rua,
sentado no banco da praça. É uma verdadeira
revolução".
Lula
disse ainda que o brasileiro "gosta muito de TV".
"É uma grande praça onde todos se reúnem",
afirmou. Para ele, a era digital reforça a unidade
do País e é preciso que a nova TV preserve
as características básicas da atual: sinal
aberto e gratuito.
Aparelhos
Os novos televisores produzidos no Brasil já vão
sair da fábrica adaptados para receber a transmissão
em alta definição. Quem não tiver
um desses precisa adquirir um conversor para captar as
imagens - que serão transmitidas pelos canais abertos
disponíveis na Grande São Paulo (Cultura,
SBT, Globo, Record, RedeTV, Gazeta e Bandeirantes).
Os
aparelhos de decodificação estão
sendo vendidos por preços entre R$ 499 e pouco
mais de R$ 1 mil. Quem os tiver precisa ter também
antena de captação do tipo UHF (ultra high
frequency). Quem recebe o sinal via cabo também
precisará de um decodificador.
O
sistema escolhido para a transmissão digital no
Brasil foi o japonês (ISDB-T), que permite melhor
mobilidade - ou seja, a imagem pode ser captada por celulares
ou aparelhos instalados em veículos. O sistema
europeu, que concorreu com o japonês, é mais
barato e foi o escolhido pelos chineses para a implantação
da TV digital.
Segundo
o presidente da Eletros, no início da era da televisão
digital no Brasil poucos programas serão gerados
dentro do novo sistema, embora as emissoras já
estejam se adaptando. Posteriormente, com a entrada de
um software já desenvolvido no Brasil - o Ginga
- haverá interatividade e será possível
assistir aos canais novos gerados pelos transmissores
digitais. Kiçula diz esperar que os países
da América Latina também optem pelo sistema
japonês de TV digital, para que seja possível
exportar os televisores digitais produzidos no Brasil.