Rio
estuda instalar lixão industrial próximo
a ribeirão
O
governo do Estado do Rio iniciou o processo de licenciamento
para a instalação de um depósito
de lixo industrial e químico a 5 km do ribeirão
das Lajes, que forma o rio Guandu, fonte de abastecimento
de água para 8 milhões de pessoas na região
metropolitana do Rio.
Caso
a licença venha a ser concedida, resíduos
do depósito poderão alcançar o lençol
freático e os cursos d"água da região,
chegando ao ribeirão, o que ameaçaria o
sistema de abastecimento do Guandu, acusam ambientalistas
que tiveram acesso ao projeto.
Em
fevereiro deste ano, a Feema (Fundação Estadual
de Engenharia do Meio Ambiente), vinculada à Secretaria
do Ambiente do Estado, determinou à empresa Essencis
Soluções Ambientais, autora do projeto,
a elaboração de um EIA (Estudo de Impacto
Ambiental) e de um Rima (Relatório de Impacto Ambiental).
A
preparação do EIA-Rima é a primeira
parte do processo burocrático para o licenciamento.
Caso as informações prestadas pela empresa
no documento sejam consideradas satisfatórias pela
Feema, a tendência é a de que o depósito
tenha a instalação aprovada.
Mesmo
ainda sem a licença, a empresa já começou
a realizar obras no terreno, situado na área rural
do município de Paracambi (a 75 km do Rio), na
vizinhança do Depósito Central de Munição
do Exército. O solo já passou por uma primeira
terraplanagem. Na margem da estrada que liga a via Dutra
(Rio-São Paulo) ao centro da cidade, o terreno
já está todo cercado.
Para
o presidente da Associação dos Engenheiros
Agrônomos do Estado do Rio, Felipe Brasil, há
risco grave de a água do sistema Guandu ser contaminada.
"A área é baixa e contribui para a
drenagem da área. Sem dúvida, os resíduos
líquidos vazarão para o lençol freático,
atingindo o rio em seguida."
Brasil
disse que, como Paracambi tem vocação rural,
sem indústrias importantes, a lista de clientes
do depósito deverá ser formada por grandes
empresas da região metropolitana e de Estados vizinhos,
como São Paulo e Minas. "É injusto
que a população de Paracambi enfrente problemas
graves causados por um lixo que não foi ela que
produziu."
O
caso já levou a Comissão de Defesa do Meio
Ambiente da Assembléia Legislativa a realizar uma
audiência pública para discutir a instalação
do que os ambientalistas chamam de "lixão
tóxico" nas proximidades da APA (Área
de Proteção Ambiental) do Guandu.
Para
o gestor ambiental Sérgio Ricardo de Lima, ex-membro
do Comitê de Bacia do Rio Guandu, "há
risco real ao abastecimento público da região
metropolitana e da capital".
"É
uma irresponsabilidade os órgãos ambientais
do Estado cogitarem essa hipótese. Considero um
ato de "racismo" ambiental. Os governantes e
as grandes empresas poluidoras escolhem municípios
pobres, de organização social frágil,
condenando-as a serem vistas eternamente como um grande
cemitério de lixo químico."
No
pedido de licenciamento, a Essencis diz ter a intenção
de construir em Paracambi "uma central de tratamento
de resíduos industriais", da qual farão
parte um aterro, uma estação de tratamento
de efluentes líquidos e um galpão de estocagem
de rejeitos.
Empresa
diz que o aterro não poluirá o rio
DO
ENVIADO A PARACAMBI (RJ)
O
diretor da Essencis Soluções Ambientais
no Rio, Elson Rodrigues, disse que o depósito de
lixo industrial planejado para Paracambi não atingirá
o rio Guandu. Segundo ele, o depósito será
" estanque" e "pequeno".
"O
aterro de Gramacho [em Duque de Caxias] recebe 8.000 toneladas
de lixo por dia. O de Paracambi receberá 300 toneladas
diárias, se tanto. E estaremos muito longe de todos
os rios. Mais de 5 km em vôo de passarinho. É
tecnicamente impossível o resíduo chegar
até lá."
Segundo
o executivo, a Essencis se propõe a instalar "um
depósito de resíduos sólidos com
toda proteção técnica". Entretanto,
falou que entende a reação à proposta.
"As
pessoas atacam esse tipo de investimento, mas ele é
necessário. Eu trato o resíduo. Quem o produz
são as empresas." Segundo ele, a empresa está
na "primeiríssima" etapa do projeto.
O
secretário do Ambiente do Estado do Rio, Carlos
Minc, confirmou que foi autorizado o início do
processo de licenciamento do projeto. Mas que a licença
só sairá caso haja a aprovação
do estudo de impacto ambiental, ainda não apresentado.
(ST). (Ecopress com informações da Folha
de S.Paulo - 01/10/07, às 8 horas).
Fonte: http://www.paginasdinamicas.com.br