Gênero,
Democracia e Políticas Públicas de Comunicação
São Paulo, 6 e 7 de dezembro de 2007
Em
defesa de uma TV pública independente, plural e participativa
Bia Barbosa*
"Investir
na TV pública é devolver ao cidadão
o imposto que ele paga na forma de um serviço de
comunicação diferenciada, expressão
da diversidade e alternativa de informação".
Tereza Cruvinel, presidente da EBC
6
de dezembro (5ª feira), das 9h às 12h
Mesa 1 – TV Pública e a expressão da
diversidade
Acesse aqui alguns destaques das exposições
e imagens dessa mesa
A
consultora em Gênero e Raça Mara Vidal coordenou
a primeira mesa do dia
No
dia 2 de dezembro, simultaneamente ao início das
transmissões da TV digital no Brasil, aconteceu a
pré-estréia da TV Brasil, a primeira emissora
pública nacional do país. Nascido da fusão
da Radiobrás, TVE/RJ e TVE/MA – emissoras vinculadas
ao Estado –, o canal tem o objetivo de romper o direcionamento
e estreitamento dos conteúdos da TV privada, possibilitando
a pluralidade e regionalização da produção,
e dando espaço à diversidade brasileira.
Tereza Cruvinel (presidente da EBC) e Gabriel Priolli (presidente
de honra da ABTU)
Um
espaço para a diversidade e a defesa da cidadania
Historicamente,
a discussão da implementação de uma
emissora de TV desta natureza encontrou no Brasil resistência
tanto entre os grandes empresários da radiodifusão
como em governos que não se interessaram pelo tema
diante da imaturidade do debate na própria sociedade.
Hoje a situação é outra. Na opinião
da jornalista Tereza Cruvinel, presidente da EBC (Empresa
Brasil de Comunicação), que administra a TV
Brasil, em todos os segmentos da população
há demandas neste sentido.
"Esta
expressão de maturidade democrática maior
é semelhante àquela que, no pós-guerra
nos países europeus, levou os governos a transformarem
suas TVs estatais em públicas. Nosso tempo é
outro, e agora nossa democracia exige isso também.
Encontramos um governo que, pela primeira vez, se dispôs
a tocar esta discussão, interditada no passado, durante
a ditadura. Desde os anos 70 poderíamos ter construído
a rede pública, se tivesse havido boa vontade governamental.
Hoje não podemos perder esta oportunidade",
acredita Tereza Cruvinel.
A
construção de um sistema público de
comunicação está prevista na Constituição
Federal, que fala da complementaridade entre os sistemas
privado, público e estatal, mas até hoje não
foi implementada de fato no país. Nossa realidade
é a de um modelo de comunicação comercial,
altamente concentrado em poucas famílias, que controlam
a mídia impressa e eletrônica e restringem
a pluralidade de oferta de meios e a expressão da
diversidade regional e cultural brasileiras.
"A
não-expressão da diversidade da mulher nos
meios de comunicação decorre deste sistema:
da ausência de canais públicos com peso maior
na correlação de forças entre os diversos
segmentos de mídia e da fragilidade dos canais estatais
governamentais", avalia Tereza. "Há uma
arquetipia lamentável da mulher na televisão.
É a mulher consumidora e não a mulher-cidadã;
vale o que você prefere e não o que você
pensa. E há um culto a um padrão de beleza
mercadológico, além de uma desqualificação
da mulher na vida política", completa.
Daí
a importância da criação da TV Brasil
neste momento, para que esta lógica seja revertida.
Como expressão, televisão pública é
algo que existe no país, por enquanto, somente em
nossa Carta Magna. Atualmente, os canais chamados de públicos
são, na prática, concessões educativas
ainda com fortes vínculos com os governos estaduais.
"Um debate importante neste momento é fazer
com que este sistema educativo seja desestatizado, saia
das mãos dos interesses de grupos que não
operam no Estado com espírito público, e passe
a atuar em defesa da cidadania", afirma Gabriel Priolli,
jornalista e presidente de honra da ABTU (Associação
Brasileira de Televisão Universitária), e
diretor da área de eventos e publicações
da TV Cultura.
Para
Fátima Pacheco Jordão, diretora do Instituto
Patrícia Galvão e assessora de pesquisa da
TV Cultura, "na reflexão sobre por quê
é crucial agarrar a oportunidade de criação
da TV pública no Brasil, precisamos pensar o papel
da televisão no país. A TV é o elo
mais forte da sociedade com as fontes de informação.
Neste sentido, precisamos considerar a TV como um todo,
em que a polarização TV pública X TV
privada pode comprometer a reflexão sobre o papel
da TV como um todo".
Afinal,
o que é essa tal diversidade?
Um
dos principais objetivos da TV Brasil – previsto tanto
na Medida Provisória que criou a EBC quanto nos anseios
daqueles que defendem a constituição de um
sistema público forte no país – é
a difusão e promoção de toda a nossa
diversidade através da televisão. Basta olharmos
para o desequilíbrio existente, por exemplo, entre
negros e brancos à frente de programas na TV e entre
homens e mulheres retratados como especialistas no discurso
televisivo para dimensionarmos o tamanho do desafio que
há no horizonte.
Mas
de que diversidade estamos falando e como promovê-la?
Bastaria trabalhar com o conceito de gênero, etnia
e orientação sexual para responder a ela?
Seria o caso de impor um equilíbrio na representação
ou construir este equilíbrio politicamente? Este
equilíbrio deve ser matemático? As emissoras
devem responder a alguma determinação legal
neste sentido? Como definir critérios de cotas na
programação da TV pública?
Na
opinião do jornalista Gabriel Priolli, a diversidade
na TV Brasil deveria ir além da representação
e abarcar a questão da diversidade regional, cultural
e aquela que está presente nas produções
independentes.
"Uma
das grandes contribuições que a TV Brasil
pode dar é provar ao país que é possível
obedecer ao artigo 221 da nossa Constituição
Federal, e que isso é bom para a TV, não vai
acabar com ela, como afirmam os argumentos contrários,
baseados na defesa da liberdade de criação
artística", aponta Priolli. "Estamos aquém
do que podemos atingir e seria desejável, mas estamos
bem além de onde chegou a TV comercial. Já
debatemos a questão da diversidade no ar, enquanto
a comercial não faz isso nem internamente. E se queremos
ter diversidade no sistema de televisão como um todo,
é importante fomentar a diversidade a partir da TV
pública, para que ela seja o paradigma de toda emissora",
afirma.
No
entanto, para Edson Cardoso, do Jornal Ìrohìn,
é um equívoco afirmar que a TV comercial não
trata da diversidade em suas produções. "Ela
trata sim, mas do seu jeito; hierarquiza conceitos de diversidade.
É preciso estar atento, porque a TV pública
vai reproduzir o padrão de diversidade imposto nos
meios privados?", questiona.
"É
uma questão complexa. Toda a diversidade cultural
e regional que existe no país reproduz, de diversas
formas, uma mesma concepção de gênero,
de raça e etnia. Isso não resolve. Quando
falamos em diversidade de gênero, falamos de uma ótica
feminista, que combata a opressão de gênero.
Falamos de uma concepção avançada de
programação, que combata os estereótipos;
de uma concepção de comunicação,
por trás da qual está uma concepção
de sociedade", avalia Olívia Rangel, da União
Brasileira de Mulheres.
"Queremos
uma TV pública que abarque a diversidade e combata
a desigualdade. Este deve ser nosso mote e posicionamento
estratégico", acredita Fátima Jordão.
Não basta, portanto, que a TV pública esteja
"pipocada" de mulheres, negros e indígenas
na sua programação. As representações
não são suficientes para tratar da diversidade
como um todo, muito menos da chamada diversidade "celebratória"
e não conflituosa, já abordada sobretudo pela
publicidade. Em um cenário de transição
entre uma sociedade que apenas consumia mídia e uma
sociedade que hoje produz comunicação, é
preciso dar um passo além e defender a participação
da população na produção de
conteúdo como forma de se alcançar a difusão
dessa tal diversidade.
A
TV Brasil pretende trabalhar em parceria com uma linha de
financiamento da produção audiovisual independente,
coordenada pelo Ministério da Cultura, para levar
a diversidade brasileira para dentro da telinha. Inicialmente,
cerca de 100 milhões de reais estariam disponíveis
através de editais exclusivos para a TV pública.
"Pensamos
que diversidade é algo natural, que está plantado
na sociedade, mas ela precisa ser construída",
afirma a professora Ivana Bentes, da Escola de Comunicação
da Universidade Federal do Rio de Janeiro . "Diversidade
para mim hoje é dar condições econômicas,
formas de financiamento, para que a sociedade se torne produtora
de mídia em sua diversidade. Não vale se limitar
à representação. A TV Brasil tem que
estar atenta aos mecanismos de empoderamento da sociedade,
tem que ter políticas públicas para isso,
de implantação de tecnologias de produção
e expressão, senão ficamos reféns de
um modelo democrático representativo que está
em crise", conclui Ivana.
Programação
e financiamento
Um
dos grandes diferenciais da TV pública deve ser sua
programação, que precisa se apresentar como
alternativa e oportunidade de escolha para os brasileiros
e brasileiras que não estão satisfeitos com
a TV comercial. Mais do que isso, cabe às emissoras
públicas veicular um conteúdo plural, diverso,
que promova o pensamento crítico, defenda os direitos
humanos e não se restrinja à busca por audiência.
"No
dia 2 de dezembro, demos um primeiro passo na construção
da programação da TV Brasil, unificando o
conteúdo veiculado na Radiobrás e TVE Rio.
Foi uma programação especial, que contou com
Maurício de Souza, Paulinho da Viola e com a estréia
do telejornal Repórter Brasil, em que buscamos a
oferta de boa informação e a quebra da subserviência
ao Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília como
fonte de informação", conta Tereza Cruvinel.
"Agora temos um caminho pela frente, que é construir
uma programação em rede, em associação
com as TVs educativas, universitárias, comunitárias.
Hoje, 15 emissoras já estão veiculando nosso
telejornal e a grade que está no ar parcialmente",
diz.
Outro
aspecto candente do funcionamento das emissoras públicas
é seu financiamento. A primeira idéia que
precisa ser desconstruída – e que vem sendo
propagada no Congresso pelos opositores do projeto da TV
Brasil – é a de que o investimento do governo
neste tipo de televisão é desperdício
de recursos públicos. "Não é.
Investir na TV pública é devolver ao cidadão
o imposto que ele paga na forma de um serviço de
comunicação diferenciada, expressão
da diversidade e alternativa de informação",
afirma Tereza.
Para
Gabriel Priolli, o investimento que a sociedade, o Estado
e o mercado estão fazendo na expansão da TV
pública se justifica justamente para garantir o acesso
à diversidade cultural. "Para que exista a possibilidade
de programar a televisão com critérios de
relativismo cultural e tolerância, há que se
garantir meios para que a TV pública se desenvolva
cada vez mais e cumpra sua missão civilizadora nos
meios de comunicação", completa.
O
grande debate, no entanto, entre aqueles que defendem a
idéia de um sistema público forte no país,
é o risco da dependência exclusiva de financiamento
dos governos, o que abre espaço para ingerência
direta no funcionamento dos canais – como já
acontece hoje em grande parte com as emissoras educativas
– diante das possibilidades de contingenciamento de
verbas.
"Quem
manda é quem paga. Então é preciso
criar um papel de contrapeso em relação ao
dirigismo que o Estado pode dar à emissora ao fechar
a torneira. A discussão da publicidade nos canais
públicos é um assunto espinhoso. Há
posições extremadas e conflitantes em relação
a isso. Mas defendo a possibilidade de publicidade comercial
livre na TV pública. Se renunciamos que a TV pública
possa disputar recursos no mercado privado, estamos entregando
seu controle ao Estado. Defendo a publicidade comercial,
mas regulada. E que não seja maioria no financiamento,
senão a TV pública passa a funcionar no jogo
normal do mercado", explica Priolli.
Ivana Bentes (Eco/UFRJ) e a debatedora Fátima Pacheco
Jordão (IPG e TV Cultura)
A
professora Ivana Bentes, concorda: "temos que acabar
com a demonização do mercado, como se ele
estivesse fora da idéia de democracia e do público.
Há empresas que defendem a responsabilidade social
e podem estar na TV pública. A idéia de que
o Estado é o único provedor de tudo de bom,
como se o mercado estivesse em outro planeta, é um
modo maniqueísta e redutor de ver as coisas".
Já
o professor Laurindo Lalo Leal Filho, da Faculdade Cásper
Líbero e apresentador do programa Ver TV, da Radiobrás
, acredita que a veiculação de publicidade
comercial pode acabar com a TV pública. Para ele,
o processo natural será baixar a qualidade da programação
para torná-la mais popularesca em busca da audiência
exigida pelos anunciantes. "Será colocar a lógica
do mercado sobre a lógica da cidadania, da prestação
de serviço público. Fora isso, há uma
questão de linguagem: o anúncio comercial
tem uma linguagem que tem que vender rapidamente e pegar
a pessoa pela emoção. Este ritmo do comercial
acaba contaminando a programação. Por fim,
como pensar uma TV pública voltada para a cidadania
e que estimula o consumismo?", questiona. Para Lalo,
o limite da relação da TV pública com
o mercado é o apoio institucional ou o patrocínio
de programas.
Em
suma, como alerta Fátima Jordão, é
preciso trabalhar com objetividade em relação
à questão do financiamento das emissoras públicas.
"Não adianta pegarmos modelos internacionais,
como o caso da Inglaterra e do Canadá, que taxam
diretamente a população, porque eles são
inatingíveis no Brasil; nossa sociedade não
está preparada para isso. A questão aqui tem
a ver com a capacidade que os atores ligados ao campo público
têm de apontar para uma diversidade de fontes de financiamento,
na qual patrocínios são apenas uma parte",
afirma.
A
Medida Provisória que criou a EBC prevê para
seu financiamento, além de dotações
orçamentárias, a exploração
dos serviços de radiodifusão pública;
a prestação de serviços a entes públicos
ou privados; distribuição de conteúdo,
modelos de programação, licenciamento de marcas
e produtos e outras atividades inerentes à comunicação;
e doações, legados, subvenções
e outros recursos que lhe forem destinados por pessoas físicas
ou jurídicas de direito público ou privado.
"É
claro que isso não garante a perenidade da TV Brasil.
Precisaríamos de uma fonte permanente e independente,
que crie uma blindagem para seu funcionamento. Estamos discutindo
com o Congresso a possibilidade de parte dos recursos do
Fust (Fundo de Universalização dos Serviços
de Telecomunicações) e do Fistel (Fundo de
Fiscalização das Telecomunicações)
financiarem as emissoras públicas, inclusive para
socorrer as estaduais, que estão em penúria
e que assim não conseguirão nunca migrar para
a TV digital", explica Tereza.
Gestão
participativa
Um
dos principais diferenciais entre emissoras públicas
e privadas é a existência de um organismo de
representação da sociedade à sua frente,
com poder de definição acerca do conteúdo
veiculado. O Conselho Curador da TV Brasil, que toma posse
no dia 14 de dezembro, nasceu sob fortes críticas,
vindas inclusive do chamado campo público da televisão.
Em vez de indicados pela sociedade, seus integrantes são
personalidades – entre as mulheres está Maria
da Penha, que deu nome à Lei nº 11.340 , que
trata da violência doméstica contra as mulheres
– nomeadas diretamente pelo Presidente da República
– mais um elemento que caracteriza forte vinculação
com o poder Executivo e pode comprometer a independência
da emissora.
A
diretora-presidente da TV Brasil, Tereza Cruvinel, defende
a decisão: "optamos por personalidades que,
por sua história, expressam pluralidade e diversidade.
Avaliamos que este formato de conselho teria vantagens sobre
um conselho feito de organizações corporativas.
Precisaríamos de muitas entidades, o que tornaria
o conselho inoperante".
Gabriel
Priolli discorda: "O processo foi imperfeito ao priorizar
a representação personalista, acreditando
que isso asseguraria independência do representante
e menos corporativismo. Uma representação
vinculada a um segmento não implica diretamente um
corporativismo, só se faltar espírito público.
Ao mesmo tempo que uma representação por personalidade
não assegura o contrário. É possível
que personalidades atuem de forma corporativa, se assim
pautadas. Teria sido melhor se o Conselho da TV Brasil tivesse
se pautado pela composição do Fórum
de TVs Públicas, um espaço que acompanha o
debate da comunicação pública desde
o início".
Segundo
Tereza, o objetivo da EBC é melhorar o funcionamento
do conselho na votação da lei que dará
validade à Medida Provisória, em tramitação
no Congresso. A MP prevê que o próprio conselho
estabeleça mecanismos de consulta popular para sua
renovação. O Congresso também está
discutindo formas de tornar o órgão mais amplo,
debatendo com o relator Walter Pinheiro (PT-BA) a criação
de 2 ou 4 novas vagas. "Como não acredito que
a MP vai ser aprovada este ano no Senado, se o Congresso
viabilizar suas vagas, vai buscá-las na sociedade,
e aí entram as negociações", avalia.
Independentemente
do questionamento feito à configuração
do Conselho Curador da TV Brasil, é preciso aperfeiçoar
os mecanismos de participação popular na gestão
das emissoras públicas. Os conselhos, em sua maioria,
são compostos por pessoas entendidas como representativas
da sociedade, mas não existe uma prática de
prestação de contas, a sociedade desconhece
seus estatutos, integrantes e formas de diálogo com
os mesmos.
"Há
uma dificuldade em construirmos tecnologias de participação.
Podemos ter o conselho mais plural e representativo, mas,
se for invisível e inacessível, se não
houver um instrumento de pressão, não terá
como nos representar", acredita Ivana Bentes. "Nosso
modelo de democracia participativa está em construção
e a TV Brasil tem que estar atenta a isso. A discussão
em torno de seu conselho é uma cortina de fumaça
diante da possibilidade de se construírem outros
mecanismos de participação. A mídia
só fala em ingerência política, mas
é um falso problema. Precisamos ir para outro patamar,
de mecanismos mais amplos", completa a professora.
Entre
estes mecanismos estão ouvidorias, ombudsmen, códigos
de conduta, debates setoriais, espaços externos de
controle social, relatórios administrativos abertos
e mecanismos de direitos de resposta. "Enquanto sociedade
civil, temos que ultrapassar o lugar de ficar reivindicando
espaço e contribuir para o aperfeiçoamento
desses mecanismos. Vamos ajudar a construir outras instâncias
importantes na TV Brasil", defende Jacira Melo, diretora
do Instituto Patrícia Galvão.
Tereza
Cruvinel reconhece a necessidade de se construírem
pontes também entre a direção de programação
e o que chamou de "nichos de reflexão sobre
gênero" no Brasil. Ela lembra o papel das mulheres
na produção independente e a possibilidade
dessas produções levarem diversidade para
dentro da TV.
Um
espaço em construção
O
modelo proposto, portanto, ainda está aberto a mudanças
e melhorias institucionais, de forma a garantir uma maior
autonomia, sustentabilidade e perenidade à TV Brasil.
Há uma batalha a ser travada no Congresso e um enfrentamento
à direita junto ao Supremo Tribunal Federal, onde
corre uma ação de inconstitucionalidade movida
pelos Democratas (ex-PFL). Eles alegam que a EBC precisaria
ter sido criada via Projeto de Lei, e não Medida
Provisória.
"A
TV Brasil é um projeto em construção.
É um problema vir através de uma MP, mas de
outra forma, não viria; nosso processo histórico
mostra isso", acredita Fátima Jordão.
"Agora ela tem que ser sustentada pela cidadania, para
que a gente possa sonhar, a médio prazo, em disciplinar
a questão e regular uma maior diversidade também
na TV comercial. Sem TV pública desenvolvida no Brasil,
jamais vamos conseguir corrigir as distorções
construídas na TV comercial", acrescenta Priolli.
"A
viabilização da EBC é complexa porque
um passo dado muito à frente pode significar um retrocesso,
se levarmos em consideração a disposição
das grandes emissoras para inviabilizar qualquer tipo de
controle social sobre o campo público. Basta lembrar
o que aconteceu com a Ancinav, com o debate da classificação
indicativa... E a constituição do campo público
tem que reverter para o controle social das emissoras privadas.
Se começasse por elas, não sairia", conclui
Ivana Bentes.
* Bia Barbosa é jornalista e integrante do Intervozes
- Coletivo Brasil de Comunicação Social .
Realização : Instituto Patrícia Galvão
Apoio:
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
/ Fundação Ford
Informações: ipgalvao@uol.com.br ou (11) 3266-5434.
Fonte:
Instituto Patrícia Galvão - Comunicação
e Mídia |