| ECOLOGISTA
DENUNCIA QUE RIO NÃO FEZ INVESTIMENTOS NA ÁREA
AMBIENTAL PARA SEDIAR OS JOGOS PAN-AMERICANOS DE 2007.
CIDADE NÃO DISPÕE SEQUER DE INVENTÁRIO
DE EMISSÕES ATMOSFÉRICAS, QUE DEVERIA ANTECEDER
A REALIZAÇÃO DO PAN, E MEDIDAS ANUNCIADAS
PELA PREFEITURA CARIOCA TEM FONTE DE DADOS FALSAS, PROGRAMAS
DESMONTADOS FORAM ANUNCIADOS ONTEM COMO EM AMPLIAÇÃO
COMO O PROGRAMA MUTIRÃO REFLORESTAMENTO QUE JÁ
FOI PREMIADO PELA ONU O ecologista Sérgio Ricardo,
fundador do Fórum de Meio Ambiente da Baía
de Sepetiba, encaminha hoje relatório técnico
ao Ministro dos Esportes, Orlando Silva, e ao Presidente
Lula, em que denuncia a falta de investimentos pela Prefeitura
do Rio e o governo do estado na área ambiental, que
deveriam anteceder a realização deste evento
internacional que irá reunir milhares de pessoas
no Rio. Sendo ele, "o Rio não está ecologicamente
preparado para sediar o PAN 2007, algumas das principais
praias da cidade estão interditadas por causa da
falta de tratamento de esgotos e o PAN 2007 não dispõe
ainda de um balanço (ou inventário) das suas
emissões de gases do efeito estufa e nem adotou no
processo preparatório as medidas de mitigação
e de compensação destas emissões durante
o evento, como foi feito nos Jogos de Turim e outros eventos
internacionais de grande porte.
O
ecologista reagiu com indignação diante do
que considera "mais um factóide anti-ecológico"
do prefeito carioca, César Maia (PFL-RJ) que ontem
(14/2) reuniu seu secretariado e aliados e lançou
protocolo de intenções com medidas para supostamente
combater o aquecimento global. No documento ao governo federal,
o ambientalista destaca que parte das informações
divulgadas pelo prefeito são falsas, inverídicas
e que programas e obras anunciadas com alarde na imprensa
na verdade estão paralisadas, ou foram desmontados
ou extintos nos últimos anos pela administração
municipal. Nos últimos 4, 5 anos, em que o país
vêm se preparando para o PAN a cidade não tirou
do papel uma agenda ambiental ou sócio ambiental,
tanto que o Comitê Ambiental do CO-RIO (Comitê
Organizar do PAN) e do Comitê Olímpico Brasileiro
(COB) se reuniram pela 1ª. vez apenas no final de 2006
e não adotaram -até o momento- uma única
medida efetiva para melhorar a qualidade ambiental da cidade!
A cidade foi sede da ECO 92 (Conferência Mundial de
Meio Ambiente e Desenvolvimento), que reuniu 160 Chefes
de Estado, no entanto, ao longo destes 14 anos (que coincide
exatamente com a gestão do atual prefeito) o patrimônio
ambiental carioca foi se degradando gravemente: aumento
da poluição das praias e lagoas, proliferação
crescente de algas tóxicas (cianobactérias)
nas lagoas da Barra da Tijuca que levaram a sua recente
interdição por riscos à saúde
pública, presença de pedreiras em área
verde protegida legalmente no subúrbio da cidade
poluindo o ar, desmonte do Programa Mutirão Reflorestamento
premiado pela ONU com conseqüente redução
das áreas reflorestadas (a maior área desmatada
no Rio é a Área de Proteção
ambiental e recuperação Urbana da Serra da
Misericórdia, com 53 km2 que abrange a região
Leopoldina e Zona Norte, onde o reflorestamento está
paralisado há quase 3 anos e a favelização
encontra-se crescente processo de favelização),
"entre outros crimes ecológicos po dem ser observados
diariamente na cidade, a Impunidade Ambiental marca a atual
gestão da prefeitura do Rio", afirma.
"As metas anunciadas pelo prefeito lamentavelmente
são mentirosas e sem transparência, infelizmete
não há a menor chance de serem cumpridas,
caracterizando o PAN do Rio como um evento anti-ecológico
já que serão produzidas milhares de toneladas
de lixo (a cidade não adota a reciclagem e a coleta
seletiva e ainda hoje despeja 9 mil toneladas de lixo por
dia em cima de manguezal, vazando toneladas de chorume altamente
poluente para as águas da Baía de Guanabara),
aumento do tráfego de veículos e enormes engarrafamentos
(inclusive ônibus movidos a diesel altamente poluentes),
sobrecarga da rede de esgotos que será lançado
nas lagoas da Barra da Tijuca (na região não
existe Estação de Tratamento de esgotos funcionando,
as obras do Emissário Submarino estão atrasadas
e a ETE do Arroio Fundo não foi concluída
apesar do grande volume de recursos já liberados
pela União Federal para realização
do PAN). O Canal do Cunha, ponto mais poluído da
Baía de Guanabara, que foi o principal motivo da
desclassificação do Rio como sede das Olimpíadas
de 2004, continua extremamente poluído, por esgotos
sem tratamento e por metais pesados. O lixo flutuante nas
águas da baía será um forte limitador
das competições à vela, alguns jogos
preparatórios e eventos náuticos tem sido
transferidos da cidade devido ao grande volume de lixo flutuante
nas águas.
"Sequer pode ser dada credibilidade à promessa
do prefeito de incluir ações contra o aquecimento
global no Plano Diretor da cidade já que o processo
de Participação Popular, que é obrigatória
segundo a Lei Federal do Estatuto das Cidades, está
esvaziado, com audiências manipuladas e esvaziadas
de debate pelos secretários municipais e a bancada
de vereadores governistas que são maioria, o que
inclusive já foi denunciado por ambientalistas e
movimentos sociais ao Ministério Público federal
e estadual e á justiça". Sérgio
enfatiza que "o Plano Diretor do Rio está sendo
elaborado ao arrepio da lei, de forma ilegal, e servirá
apenas para atender os interesses do capital imobiliário
(especulação imobiliária) que vêm
avançando nas últimas gestões do prefeito
César Maia exatamente para a região da Barra,
área nobre da cidade onde serão sediadas a
maior parte das atividades do PAN".
Na carta ao governo federal, o especialista em meio ambiente
vai indicar uma série de medidas imediatas e urgentes
que devem ser adotadas para que a imagem do nosso país
não se apresente negativamente na área ambiental
durante o PAN. "As medidas visam tirar do papel uma
agenda verde e de qualidade de vida, que visa superar o
enorme atraso com que a questão ambiental foi inserida
neste evento internacional e se for levada a sério
poderá produzir impacto positivo e inovador, que
elevaria o Rio à condição de uma cidade
mais humana, solidária e ecológica".
Entre as medidas destaca-se a elaboração de
um Inventário das emissões de gases de efeito
estufa que serão gerados durante o evento.
O
ecologista apóia o Projeto intitulado "PAN 2007
COM BALANÇO NULO DE EMISSÕES" que foi
enviado e protocolado no Ministro dos Esportes pela COPPE/UFRJ
indica a necessidade da cidade produzir um inédito
Inventário de Emissões e a adoção
de várias medidas de Mitigação e Compensação
nas áreas das energias renovaveis (biodiesel, biogás),
transportes limpo (ciclovias), reflorestamento, reciclagem
(com participação de cooperativas de catadores)
e na área dos recursos hídricos. "Estas
medidas também apresentam potencial e retorno econômico
garantido, além de visibilidade internacional e grande
alcance social e relevância ambiental, na medida que
o reflorestamento com Mata Atlântica, por ex., poderá
gerar a cifra de US$ 7,823,200.00! ou seja ao fazer o inventário
e adotar estas medidas ecológicas e sociais estaremos
credenciando nossa cidade e o Brasil a gerar Créditos
de Carbono (previstos no Protocolo de Quioto), a venda destes
créditos teria grande interesse no mercado internacional
e os cofres públicos teriam lucro garantido".
O ecologista destaca ainda que as empresas patrocinadoras,
como a Petrobras poderão sofrer prejuízos
à sua imagem e perdas financeiras significativas
ao financiarem um mega-evento internacional que não
teve, até agora, qualquer preocupação
ecológica, já que os Jogos Pan-americanos
de 2007 atrairá 5.500 pessoas, no mínimo,
e produzirá um volume de emissões de gases
de efeito estufa de no mínimo 280.000 t CO2!
Ele
lembra que o investimento numa agenda verde foi a principal
grife do governo italiano nos Jogos Olímpicos de
Inverno (Turim, 2006) em que as emissões foram estimadas
em 120.000 t CO2 (Dióxido de carbono). O CO2 é
um dos principais gases de efeito estufa geradores das Mudanças
Climáticas, motivo principal do famoso Protocolo
de Quioto. Nos últimos dias, a divulgação
de relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de
Mudanças Climáticas) revelou a gravidade do
aquecimento global, destacando seus efeitos negativos sobre
as populações dos países mais pobres
e os enormes prejuízos econômicos que as bruscas
mudanças já vêm acarretando.
"A situação ambiental do Rio é
gravíssima", alerta o ambientalista. Prossegue:..."O
PAN tem uma agenda social bem feita que inclui a capacitação
de milhares de jovens de comunidades de baixa renda que
atuarão em ações preventivas e educativas,
mais não tem uma Agenda Sócio-Ambiental bem
definida, motivo de grande vulnerabilidade da imagem da
cidade e da baixa qualidade em que vive a população
carioca. As lagoas da Barra, por ex., que serão cartão
postal do PAN estão podres, não vão
ser recuperadas tão cedo e a presença da imprensa
internacional na cobertura do evento tende a ressaltar esta
falta de Agenda Ambiental efetiva, o que pode fazer com
que as autoridades governamentais saiam da letargia em que
se encontram, lamentavelmente apenas tem sido priorizado
as grandes e milionárias obras de engenharia".
Outra alternativa a ser apresentada prevê a criação
de um Fundo Ecológico com participação
da sociedade civil, por meio de Ongs e OSCIPs e universidades,
que poderiam captar recursos do governo federal (Fundo nacional
de meio ambiente, do orçamento do próprio
Min. Esportes, BNDES etc) e na iniciativa privada (inclusive
Petrobras e as grandes empresas setor de petróleo,
por ex. "A metodologia do inventário prevê
que este deverá, além de quantificar as emissões,
avaliar as ações que serão implantadas
- e seus custos. Em seguida seriam realizadas as ações
de mitigação/compensação que
levariam à neutralização das emissões",
propõe o ecologista.
Maiores informações:
Sérgio Ricardo - Ambientalista
Tel. (21) 3366-1898, 9908-2773
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