As ambições desmedidas, nossos ares
e a Previdência
"Há três espécies de cérebros:
uns entendem por si próprios; os outros discernem
o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem
nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros
são excelentíssimos; os segundos excelentes;
e os terceiros totalmente inúteis." (Maquiavel)
Hoje,
gostaria de dar uma parada para ter uma conversa séria
com você. Falarei de alguns fatos e me esforçarei
para tentar produzir uma reflexão que pretendo profunda.
Sinto falta dessa conversa exatamente agora, com esse circo
montado pela disputa da presidência da mesa diretora
da Câmara Federal, como se a simples administração
do Poder Legislativo fosse um belo troféu.
Não
sei se você está disposto a esse exercício.
Pode ser que todos nós estejamos contaminados pela
ilusão de que quanto mais campeonatos, melhor para
a saúde democrática. Essa ilusão pode
estar na forja que molda sua própria relação
com a vida.
O
processo eleitoral que despejou sobre Brasil esse velho
Congresso novo espelhou o nível de exigência
dos cidadãos. Os políticos são frutos
desse confinamento mental em que muitos se encontram, crentes
que estão certos quando se deixam enganar ou se decidem
em função de concepções e interesses
individualizados.
Estamos
diante, portanto, de um quadro político que não
tem nada com os ventos de indignação que sopraram.
Os ventos já não podem contra as rochas dos
vícios e das ambições desmedidas. Não
interessa, assim, quem vai ser o novo "Severino".
Porque todos acham que a política é um fim
em si. Que pena!
Uma
posse traumática
É preciso que você entenda que não estou
falando dos outros. É sobre a gente que falo. Não
me excluo, embora mergulhe nas causas que abraço
com a convicção que são partes de uma
cadeia de desdobramentos e transferências inevitáveis.
Recebo um bom número de e-mails diariamente. E presumo
que as opiniões e informações repassadas
abarcam um grande universo, até porque reconheço
em quem se vale desse instantâneo meio de comunicação
preocupações mínimas e intenções
honestas.
Mas
tenho a amarga sensação de que há um
evidente distanciamento entre muitos que escrevem ou repassam
opiniões e o Brasil caótico que se move nos
verdadeiros subterrâneos sociais.
Mesmo
o censo crítico conforma-se na superfície.
E aqui não estou falando ideologicamente. A gravidade
do ambiente permeado de hipocrisias decorre dos apegos primários
de cada um.
Essas
reflexões me vieram à cabeça neste
começo de fevereiro porque, quando você estiver
lendo estas linhas, eu devo ter sido empossado para 23 meses
de mandatos como vereador na cidade do Rio de Janeiro.
Digo
"devo" porque desde junho de 2005 sofro uma verdadeira
conspiração para impedir essa posse. Esse
é um assunto que, por considerar de ordem pessoal,
jamais comentei aqui. E como ainda não se deu o ato
final, e como ainda não assinei o termo de posse,
só pretendo informar a você sobre a tentativa
kafkiana de me excluírem desse mandato quando for
chegada a hora.
Digo
apenas que talvez tenha sido o único brasileiro que
quiseram cassar antes de ter mandato. Isto é, tentando
uma manipulação grosseira da minha desfiliação
do PDT, ao qual voltei agora até por uma questão
de lógica, para obter do TRE a cassação
da minha condição de primeiro suplente, isso
em junho de 2005, num processo do qual só tomei conhecimento
em outubro de 2006, mas que, felizmente, teve uma magistral
decisão do juiz titular da 2ª Zona Eleitoral
(responsável pela proclamação dos eleitos).
Decisão que, no entanto, não fez desistir
o interessado em passar por cima do meu direito e dos meus
eleitores. Na hora certa, a gente se fala a respeito.
Nossos
ares e a Previdência
Voltemos aos assuntos "não pessoais". Gostaria
de manifestar minha preocupação sobre esse
projeto de retirar o controle aéreo do Ministério
da Aeronáutica, seguindo o modelo norte-americano.
Não
há proposta mais ameaçadora. Ao contrário,
pelo que conheço do nosso País, as Forças
Armadas ainda são as instituições mais
confiáveis do ponto de vista de nossa segurança
e é exatamente a formação militar,
com sua disciplina e com seus valores morais, que me garante
a certeza de um vôo com um mínimo de suporte
técnico.
Só
a Aeronáutica militar tem condições
de operar com visão estratégica a cobertura
de todo o território nacional - e não apenas
das grandes "praças", até porque
só os militares consideram parte de sua opção
profissional a prestação de serviços
ao País em qualquer ponto do seu imenso território.
Ao
contrário, um governo patriótico e democrático
deveria explorar mais esse inesgotável potencial
que garantiu a Petrobras no seu nascedouro, conserva padrões
de excelências em suas instituições
de ensino - como IME e ITA - e jogou um papel importante,
embora silencioso, com a participação da Marinha
na implantação de nossa primeira empresa de
informática - a Cobra.
Como
você já me conhece, tenho minhas inabaláveis
convicções ideológicas e, para a sua
incompreensão, é exatamente por isso que digo:
qualquer governo democrático erra perigosamente quando
deixa de interagir com as mais sólidas instituições
nacionais.
Finalmente,
gostaria de manifestar positivamente minha surpresa com
os últimos pronunciamentos do sr. Luiz Inácio
sobre o falacioso déficit da Previdência. Enfim,
longe do sr. Gushiken, o homem da previdência privada,
Lula está refazendo a fala do governo. E ainda não
disse tudo.
Desde que a CPMF deixou de ser específica para a
saúde, passou a destinar-se à Previdência.
E há outras rubricas orçamentárias,
como a Contribuição sobre Lucros Líquidos
e Cofins que deveriam reforçar o caixa da Previdência,
desde que ela assumiu responsabilidades de assistência
social, mas, infelizmente, esses recursos sempre pararam
no Tesouro.
Esses assuntos deverão ser objetos de matérias
específicas, quando já estarei no domínio
e posse do meu direito, conquistado pela vontade de 13.924
moradores da cidade do Rio de Janeiro.
Aguarde
e, se desejar, envie sua contribuição.
Pedro
Porfírio
www.pedroporfirio.com
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