| Favela
a Quatro
Foi
lançada recentemente no Rio de Janeiro o F4, uma
parceria entre algumas entidades com forte e reconhecida
atuação social que pretendem, como primeiro
passo, reforçar e muito o trabalho social na nossa
cidade.
O
F4 é o Favela a Quatro, reunião informal de
quatro organizações que têm um poderoso
elemento comum: todas foram criadas por pessoas que moram
ou moraram em comunidades populares e que, portanto, reconhecem
na alma, no sonho e na teoria suas potencialidades, as possibilidades
que têm de desenvolver estratégias comuns de
luta e resistência, cultural e política. Assim
é com a CUFA (Central Única de Favelas), o
AfroReggae; o Nós do Morro e o Observatório
de Favelas. Outro aspecto em comum é que consideram
prioritário fortalecer políticas públicas
de emprego de jovens, bem como necessário o Desenvolvimento
Local dos espaços populares, favelas e periferias.
Para tal prevêem novas parcerias entre a sociedade,
o setor privado e o poder público.
Todas
as quatro instituições continuam a desenvolver
seus trabalhos individuais originais. Mas essa união
também tem um objetivo principal ambicioso: promover
ações conjuntas, solidárias, de mobilização,
com vistas à Redução da Violência
Contra Crianças, Adolescentes e Jovens no Rio de
Janeiro. Nesse sentido, já está em pauta um
trabalho em presídios, dedicado à cultura
e ao estímulo da auto-estima de ex-presidiários
após o cumprimento das penas e, por fim, a sua contratação
por empresas parceiras.
Conselho
Gestor e Carnaval
O conselho gestor do F4 está constituído hoje
por Celso Athayde da CUFA, José Júnior do
AfroReggae, Guti Fraga do Nós do Morro e Jailson
de Souza e Silva do Observatório de Favelas.
Daí
a nossa participação no desfile desse ano
da escola de samba Porto da Pedra. Teremos uma ala dedicada
ao F4 e dela faremos parte integrante.
O
seu enredo, “Preto e Branco a Cores”, do carnavalesco
Milton Cunha, fala do antigo regime racista da África
do Sul, da violência letal que existia contra os negros.
Lá também houve o “caveirão”.
Lá como aqui o objetivo do ”caveirão”
não era apenas proteger os policiais mas atemorizar
a população.
O
carnaval ainda é uma grande festa do povo. Não
vemos contradição em discutir problemas tão
graves nessa ocasião, porque essa festa continua
apresentando também toda a variedade política,
social, econômica e cultural do nosso país;
é uma vitrine do que temos de bom e daquilo que queremos
superar.
Dudu
Azevedo, Observatório de Favelas
Fonte:
www.observatoriodefavelas.org.br |