Tropa de Elite, pena de morte,
estado de direito e favela
Abaixo
segue matéria da Folha SP que demonstra a facticidade
da criminalização da pobreza e do caráter
genocída presentes na política de segurança
pública no rio de janeiro, principalmente, nas
ações do bope (tropa de elite da PM), em
favelas na cidade do rio de janeiro.
Reforça ainda a tese de genocídio, a matéria
do Globo de 01/11/07, sobre a análise dos laudos
periciais presente no relatório da Secretaria Especial
de Direitos Humanos da Presidência da República
sobre a ação da Secretaria de Segurança
Pública, tendo como destaque a atuação
do bope, na megaoperação no complexo do
alemão, afirmando que dos 19 mortos vários
foram executados sumária e arbitrariamente - sem
chance de defesa.
Quando o povo residente em favelas e suas lideranças
levantam bandeiras sobre execuções sumárias,
violações de direitos civis, impunidade,
conivência/interação entre crime e
polícia e criminalização da pobreza
sempre levantam dúvidas quanto a veracidade das
denúncias. Para essas pessoas até mesmo
o ato de denunciar é considerado como de conivência
e/ou de associação ao tráfico, tática
utilizada para desqualificação técnica,
moral e política. Agora trata-se de documentos
técnicos e oficias, da Secretaria Especial de Direitos
Humanos da Presidência da República afirmando
que foram cometidos assassinatos por parte dos agentes
de segurança pública envolvidos na ação
planejada pela secretaria de segurança pública
do estado do rio de janeiro. Cabe destacar que não
se trata de retaliação política ou
de factóides criados a partir do relatório
da análise dos laudos cadavéricos resultantes
da megaoperação, pois, as relações
entre os governos estadual e central são das melhores
- vide o volume de recursos financeiros que estão
sendo investidos no estado.
Chamamos atenção ainda para a iniciativa
do deputado Natalino, do Democratas, que apresentou uma
indicação legislativa à Assembléia
propondo a criação da Polícia Comunitária.
Primeiro que este sujeito/deputado é irmão
do vereador jerominho -acusado de envolvimento com a milícia
na zona oeste- e segundo que significa um passo muito
importante para legalização das milícias
e assim o estado poderá adotar uma política
de ocupação armada e permanente dos territórios
hoje dominados pelo tráfico. Se os territórios
são dominados por traficantes armados, a ocupação
desses territórios somente será possível
com uma força armada presente 24 horas. Todos sabemos
que não é o caso da força policial
que somente realiza invasão e não ocupa.
Se a criminalização da pobreza e o genocídio
já são fatos e aceitos pela mídia
e pelo senso comum, principalmente dos não favelados,
pode-se afirmar que a polícia comunitária
agirá livremente - e ainda impune e com o aceite
da sociedade e governos - para extirpar o mal/mau pela
raiz, ou seja, é a permissão para executar
sumariamente favelados, ou melhor, se trata da permissão
para execução sumária para cerca
de 20% da população da cidade do rio de
janeiro que vive em comunidades favelizadas.
Levantamos a tese de que se trata da aplicação,
de que um "policial" poderá determinar
se uma ou mais pessoas devem ou não viver, da aplicação
arbitrária da pena de morte, do desrespeito da
Constituição Federal e Códigos, do
direito de defesa com presença de advogado/defensor
público, da violação do princípio
de autonomia dos poderes da república e coloca
em questão o estado de direito.
Se o entendimento, neste contexto, de que as favelas já
se constituem ilhas de exceção dentro do
território brasileiro, devemos denunciar internacionalmente
e exigir o cumprimento dos tratados internacionais para
garantia da vida dos supostos criminosos ou dos "prisioneiros
de guerra" e radicalizar a luta pela garantia dos
direitos civis e políticos para mais de um milhão
de brasileiros residentes nas comunidades favelizadas
da cidade.
Neste contexto acreditamos que seria muito interessante
a participação de representantes da Agenda
Redutora de Violências no 'Seminário Internacional
Perspectivas de Enfrentamento dos Impactos da Violência
sobre a Saúde Pública', promovido pelo CLAVES/ENSP,
nos dias 27 a 29 de novembro, no Hotel Glória.
Propomos uma gestão junto ao CLAVES para garantir
a participação no evento.
Saudações.
Coordenação Redeccap