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Consumidores de drogas são jovens ricos

Pesquisa da FGV revela que quem declara o uso são os solteiros de classe A


Por: Francisco Edson Alves

Rio - Jovens universitários da classe alta brasileira são os que mais consomem drogas no País. Mas quem vai para trás das grades são negros, pobres e analfabetos. O perfil dos usuários, que já havia sido apontado no filme 'Tropa de Elite', foi revelado ontem por pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com o estudo, que analisa o consumo de drogas, acidentes de trânsito e prisões no Brasil, homens brancos jovens e solteiros são os mais expostos a riscos de morte e violência.

Pesquisadores ouviram 182 mil pessoas, das quais 72,54% declararam que fazem uso de maconha, cocaína e lança-perfume. Esse grupo relatou gastar, em média, R$ 75 por mês com drogas. Os usuários pertencem às classes AB, com renda superior a 45 salários mínimos. A grande maioria deles é branca (85,1%), católica (88,3%) e tem filhos (80,46%).

"É o jovem de elite, com acesso a estudo, boa moradia e melhores condições de vida, o maior consumidor. É preciso que o estado elabore políticas urgentes para combater o problema, porque atualmente dá-se muita atenção à oferta de drogas e não ao consumidor, conforme alerta o filme", ressalta o coordenador da pesquisa, professor Marcelo Néri.

O levantamento feito pelo Centro de Políticas Sociais (CPS) sob o título 'O Estado da Juventude: Drogas, Prisões e Acidentes', tomou como base a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O capítulo 'Droga de Elite' revela que cerca de 43,74% dos usuários são donos de cartão de crédito. O cheque especial é utilizado por 34,8% no seu dia-a-dia. Do total, 68,33% consomem sempre.

RETRATO: PARA POBRES

Ser migrante, ter idade entre 18 anos e 35 anos, possuir baixa escolaridade e não ter crença religiosa representa risco maior de ir parar nas cadeias. Os dados mostram que 96,61% dos presos são homens, enquanto apenas 48,26% da população brasileira é do sexo masculino. O estudo aponta ainda que, entre os presos, 79,10% são solteiros, bem acima dos 24,12% registrados em toda a população.

O estudo traça um perfil dos valores religiosos dos presos do País, mostrando que 51,68% são católicos, 12,64% são evangélicos e 16,21% não possuem religião. Pela pesquisa da FGV, se comparados homens e mulheres, o sexo masculino tem 5,16 vezes mais chance de estarem presos. Ser solteiro também aumenta as chances de estar na prisão, apresentando risco 91,7% maior do que os demais.

Os bairros nobres, com acesso quase irrestrito a serviços oferecidos pelo estado, concentram a maior parte de viciados. Os que têm acesso a serviço de água são 93,28%, enquanto 99,32% têm coleta de lixo domiciliar, 81,28%, iluminação de rua, 89,7%, drenagem e escoamento, e 99,37%, acesso a energia.

Em relação ao trânsito — segunda causa de morte precoce —, o estudo mostra que homens jovens morrem mais que mulheres. Dos entrevistados, 45,39% de mortos no trânsito a cada 100 mil habitantes são homens, entre 15 e 19 anos, contra 8,05% de mulheres.

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