| Vereador
Pedro Porfírio defende adicional noturno para servidores
Os
funcionários públicos que trabalham à
noite estão revoltados com o corte do adicional noturno,
decidido pela Secretaria Municipal de Administração,
e publicado no Diário Oficial (D.O) do Município
no dia 14 de fevereiro de 2007. Desde março, os servidores
já não recebem mais o adicional noturno, o
que representa uma perda salarial que varia de R$ 200 a
R$ 300. A reclamação é unânime,
uma vez que os funcionários não foram previamente
avisados. Muitos ficaram sem ter como pagar aluguel, alimentação,
entre outros.
“Estou indignada com essa decisão da SMA. Ninguém
nos avisou nada. Foi uma injustiça tão grande,
que não nos deu nem a oportunidade de refazer nosso
planejamento financeiro. Com isso, tive que deixar um monte
de contas sem pagar, o que certamente levará o meu
nome para a lista do SPC”, reclamou uma servidora,
que preferiu não ser identificada. A Asfunrio, reconhecendo
a legitimidade da reivindicação, ouviu alguns
servidores – todos não quiseram ser identificados
por temerem a possíveis represálias –
e saiu em busca de uma resposta junto a SMA e a Câmara
Municipal do Rio.
Sensibilizado, o vereador Pedro Porfírio, do PDT,
se colocou à disposição da classe para
levar a questão ao prefeito Cesar Maia. O vereador
disse que defende o adicional. De acordo com alguns servidores,
a Procuradoria Geral do Município explicou que o
corte foi apenas para o pessoal que trabalhava sob a escala
12 X 36. Mas a dúvida ainda paira, pois funcionários
com escalas menores também foram cortados do benefício.
Há casos de servidores que já recebem a bonificação
superior a 10 anos consecutivos.
“Eu acho o seguinte: quem trabalha à noite,
independente da quantidade de dias de trabalho na semana,
tem que ter direito ao adicional noturno. Até porque
está muito difícil trabalhar à noite
por causa da violência. Desde já, quero colocar
o meu gabinete à disposição dos servidores
para ouvir suas reivindicações. Na prática,
tenho um canal muito bom com o prefeito Cesar Maia. Podemos
rever esta situação”, prometeu Porfírio.
Questionado sobre a possibilidade do prefeito se recusar
a desfazer o corte, Porfírio deu a entender que retomará
a briga sobre a efetivação dos guardas municipais
celetistas. “Se o prefeito não for sensível
a isso, tenho uma briga com ele na área da Guarda
Municipal para efetivar os guardas municipais. Não
é possível atividade de segurança pública
confiada a celetistas. Até a Justiça já
proibiu, já cancelou multas, já teve um problema
muito grande por causa disso”.
Segundo Porfírio, a Guarda Municipal foi criada irregularmente.
“Foi criada uma empresa municipal de vigilância
e esta faz contratações para a Guarda Municipal.
Então, eles não são guardas municipais,
são vigilantes exercendo função de
estatutários. O prefeito entrou com uma ação
de constitucionalidade e conseguiu segurar a nossa proposta.
Mas a proposta está no Judiciário. A Câmara
entrou com recurso no STF, foi aceito. E esta é outra
matéria que vou acompanhar de perto”, concluiu
o vereador, que está determinado a defender as causas
dos servidores. A Asfunrio designou seu vice-presidente,
Mário Thurler, para juntamente com a Comissão
de Servidores encaminhar uma solução para
o pleito. Abaixo, a íntegra da entrevista cedida
pelo vereador ao Jornal Asfunrio.
JORNAL ASFUNRIO – Como foi retomar
ao parlamento depois da perseguição do segundo
suplente Alberto Sales, que tentou cassar sua posse na Câmara?
PEDRO PORFÍRIO – Tudo comigo
é muito difícil. E essa situação
foi a coisa mais complicada, porque refletiu numa divisão
na Justiça. Existem juízes decentes, corretos,
profissionais. Mas, infelizmente, existe um ou outro que
não tem o menor constrangimento em dar liminar no
escuro. Eu fui atingido por uma liminar de um juiz de plantão,
que não fez questão de ouvir a outra parte
– no caso eu. Essa circunstância me abalou muito.
Agora estou retomando a minha vida parlamentar com muito
mais prudência do que antes. Mas volto ao parlamento
com a mesma posição, de continuar batendo
em assuntos polêmicos.
Como
pretende desenvolver seu trabalho no novo mandato?
Aos poucos a prudência que citei anteriormente vai
sumir. Na verdade, sou um imprudente, um revolucionário.
E quem é revolucionário não é
prudente. Eu fui preso político na ditadura militar.
Sou um anistiado político. Não posso manter
a prudência porque ela pode virar uma covardia. Minha
atuação legislativa sempre foi corajosa. Portanto,
vou manter neste mandato a defesa de assuntos polêmicos,
porque a vida atual é manipulada pela classe dominante.
É a classe dominante que compra o mandato através
dos gastos onerosos de campanha, é ela que faz as
leis. Então, por isso as minhas leis são e
vão continuar sendo polêmicas, porque elas
continuarão na contramão das leis da classe
dominante.
Quais
são as prioridades?
Hoje o mundo inteiro está legalizando o aborto. Sou
contra o aborto. Vou continuar defendendo a lei que regulamenta
o aborto, porque sem lei o aborto existirá livremente.
Muitas mulheres morrem por causa disso. Vou trabalhar na
questão da célula-tronco. Embora eu seja um
vereador, transformo o mandato de vereador num mandato federal.
Porque discuto assuntos que são federais. A Câmara
do Rio é a câmara da capital política
e cultural do Brasil.
No próximo dia 4, terei uma audiência com o
pessoal da Varig, que foi criminosamente abandonado pelo
governo. Tenho a lei dos homossexuais também, que
colocou o município do Rio como o único no
Brasil onde parceiros do mesmo sexo têm direito à
pensão. A prioridade será a de sempre: a da
defesa das minorias, a defesa dos direitos da mulher, a
defesa dos escravos urbanos – como os taxistas que
pagam diárias até hoje -, a defesa da educação
em tempo integral, que é uma bandeira nossa antiga,
do Leonel Brizola.
Agora andam ressaltando a educação como ferramenta
principal de combate à violência. Se tivessem
aplicado a proposta de Brizola em 1982, que era a de educar
as crianças em tempo integral e em escolas de qualidade,
o nível alarmante da violência no Rio não
chegaria onde chegou. Isso significa que se deveria restabelecer
a escola pública, que foi sucateada. Deveria provocar
o restabelecimento da saúde pública, que também
foi sucateada em benefício dos planos de saúde.
Enfim, vou defender todas as bandeiras que se identificam
com a minha ideologia, a do socialismo.
O
senhor tem alguma proposta para a classe dos servidores?
Sim. Já fui secretário municipal de desenvolvimento
social por duas vezes. No meu primeiro mandato nesta secretaria,
existiam cerca de 6 mil funcionários públicos,
inclusive na Secretaria de Desenvolvimento Social, que não
tinham sido efetivados em 1987, uma lei do Saturnino Brito.
Em 1993, em nome do regime jurídico único,
nós fizemos uma transformação de cargos
para que os funcionários públicos celetistas
fossem efetivados. O prefeito vetou, nós derrubamos
o veto, e ele entrou na Justiça e agora já
está em última instância. A questão
é a valorização do servidor público,
inclusive denunciando as terceirizações. O
sistema de administração pública está
muito terceirizado. Ou seja, estão sendo contratadas
pessoas sem concurso público. Hoje o que predomina
é a indicação política. Isso
facilita também a corrupção. O que
pretendo é continuar lutando para que haja efetivação
dos celetistas.
Recentemente,
a SMA resolveu cortar adicional noturno dos servidores.
O que o senhor acha desta decisão?
Eu acho o seguinte: quem trabalha à noite, independente
da quantidade de dias de trabalho na semana, tem que ter
direito ao adicional noturno consagrado. Até porque
está muito difícil trabalhar à noite
por causa da violência. Desde já, quero colocar
o gabinete à disposição dos servidores
para ouvir suas reivindicações. Na prática,
tenho um canal muito bom com o prefeito Cesar Maia. Podemos
rever esta situação.
E
se o prefeito não concordar?
Se o prefeito não for sensível a isso, tenho
uma briga com ele na área da Guarda Municipal para
efetivar os guardas municipais. Não é possível
atividade de segurança pública confiada a
celetistas. Até a Justiça já proibiu,
já cancelou multas, já teve um problema muito
grande por causa disso. E a Guarda Municipal foi criada
irregularmente. Foi criada uma empresa municipal de vigilância
e essa contrata para a Guarda Municipal. Então, eles
não são guardas municipais, são vigilantes
exercendo função de estatutários. O
prefeito entrou com uma ação de constitucionalidade
e conseguiu segurar a nossa proposta. Mas a proposta está
no Judiciário. A Câmara entrou com recurso
a nível do STF, foi aceito. E esta é outra
matéria que vou acompanhar no Supremo.
Na
sua análise, o que representa a presença do
presidente do PDT, Carlos Lupi, à frente do Ministério
do Trabalho?
Isso é uma faca de dois gumes. O PDT é um
partido que está cada dia mais legitimado como uma
sigla fiel às conquistas dos trabalhadores. Por outro
lado, o governo Lula na prática não pensa
assim. Lupi foi convidado e não pediu para ser do
governo. Então, Lula sabia das posições
do PDT. E o Lupi é muito fiel ao Brizola, ao PDT,
tanto que ele continua presidente do partido. Isto pode
até ser um fato positivo para o governo Lula. Ou
seja, ter uma pessoa do PDT no primeiro escalão pode
ajudar o governo a se reavaliar.
O governo Lula foi muito pressionado pelo sistema, pelo
chamado mercado e se rendeu. Ele tem medo do confronto com
os EUA e com os bancos. Tem medo de mexer na inflação,
na política monetária, que é uma política
que mantém inflação baixa. Lupi é
uma pessoa muito envolvente, já soube até
que eles estão vivendo um momento de amor. Acredito
que o PDT pode dar uma grande contribuição
para o Lula. Acho que o PDT também tem que ter independência.
Se for só pelos cargos, o PDT não deveria
estar no governo. Mas a cabeça do Lupi é outra,
não estar pelos cargos, mas sim está perto
do presidente para ajudá-lo a mudar.
Após
a conquista do Ministério do Trabalho, o que será
do PDT daqui por diante?
Acho que o Lupi está conseguindo um milagre após
a morte do Brizola. Eu mesmo não acreditava que o
PDT pudesse continuar vivo após a morte do Brizola.
Temia que o PDT desaparecesse. E hoje o que vemos é
que o PDT está muito mais capilarizado no Brasil.
O povo é governista, o governo é que não
é povista. Esta é uma frase que criei. O povo
tende a ser conservador no voto, tanto que o Lula foi reeleito,
apesar da reprovação do primeiro mandato.
Acredito que o Lupi, por ser muito jovem, pode dar um salto
muito grande com esta oportunidade no Ministério
do Trabalho, podendo ganhar projeção nacional.
No momento, o PDT está no governo federal, num governo
de coalizão - o que mostra que o Lula está
se libertando um pouco de certos segmentos do PT. Isto pode
ser mais benéfico para o PDT. A menos que o Lula
comece a massacrar o trabalhador, querer fazer a reforma
trabalhista e previdenciária na marra. Se ele fizer
isso, o lugar do PDT é na oposição.
Lupi tem uma vida muito mais partidária. Ela tem
um posicionamento muito claro frente as bandeiras do partido.
Do PDT, Lupi foi o mais indicado para ir ao ministério,
porque é o mais comprometido com o partido. Ele tem
a clareza, a segurança para não deixar o PDT
ser tragado por nada. |