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VOLTA DO CONCURSO INTERNO
Índio
da Costa cria PEC que incentiva o Estado a qualificar os
servidores.
Eleito deputado federal no ano passado, Índio da
Costa não concorda com a abertura de novos concursos
públicos. Ele acredita que, cada servidor precisa
ser melhor qualificado, para que esteja dentro do que as
organizações públicas necessitam. Por
isso, enviou recentemente uma Proposta de Emenda Constitucional
(PEC) 34/2007 à Câmara dos Deputados, com o
objetivo de incentivar o Estado a abrir concursos internos.
Para o deputado federal, essa é a única forma
de enxugar o tamanho da máquina pública.
JORNAL ASFUNRIO - Deputado, por que o senhor
é a favor da volta do concurso interno para funcionários
públicos?
ÍNDIO DA COSTA - É preciso
apoiar os servidores que têm mérito e readequar
o Estado ao seu tamanho. Há mais de cem categorias
funcionais no serviço público, que nenhuma
organização contrata nos dias de hoje. A Lei
proíbe desvio de funções, concursado
para datilógrafo não pode ser digitador e
assim por diante. A tecnologia mudou as necessidades organizacionais
e não podemos virar as costas para essa realidade,
mantendo um modelo industrial no setor público.
Então,
é necessário aproveitar os servidores que
têm qualificação?
A única forma de diminuirmos o tamanho do Estado
é aproveitando os servidores que têm qualificação
para fazer mais, e não abrir mais concursos para
as áreas fora do foco do Estado. Centenas de milhares
de servidores têm mérito e qualificação
para fazer mais do que suas categorias funcionais definem.
É preciso que cada servidor esteja dentro do foco
do que as organizações públicas necessitam.
A PEC 34/2007, que enviei à Câmara dos Deputados,
além de acabar com as gorduras do Estado brasileiro,
oferece ascensão profissional por mérito.
Na sua opinião, por que há hoje ausência
de concursos internos, uma vez que é tão importante
para o funcionalismo e para o Estado?
A Constituição Federal de 88 proibiu porque
houve alguns “trens da alegria”. A PEC que eu
propus não dá brecha para esse tipo de ação
maléfica para o Estado, porque determina que, para
poder fazer concurso interno, o profissional deve ter entrado
no órgão público por meio de concurso
e ter no mínimo 10 anos de atuação.
Qual
foi a proposta que o senhor enviou para mudar a Previdência
Social, de modo a beneficiar os servidores do Rio?
As recentes mudanças na Previdência Social
obrigaram os aposentados e pensionistas do serviço
público a descontar 11% para contribuição
aos fundos previdenciários e de pensão. O
governo federal, estados e municípios que têm
dificuldades financeiras precisaram desse artifício
para não quebrar suas previdências. Mas existem
diversas cidades e estados com fundos sólidos, como
o PreviRio e/ou Funprevi, ambos da Prefeitura do Rio de
Janeiro.
Por isso apresentei uma Proposta de Emenda Constitucional,
que sugere que a União dê autonomia aos entes
da Federação, que possuam regimes próprios
de previdência com equilíbrio financeiro, para
que, através de Lei estadual ou municipal, eles decidam
se cobram ou não cobram os 11% dos aposentados e
pensionistas.
Desta forma pretendo proteger os aposentados e pensionistas
da Prefeitura do Rio de Janeiro, que desde 2001, garantidos
por Lei municipal, não descontam os 11%. Mas que
podem voltar a contribuir caso o Governo Federal ganhe uma
ação judicial que move contra a Prefeitura.
Outra
questão: o senhor acha possível
a Guarda Municipal ganhar poder de polícia? Ela tem
condição de ajudar no combate à violência
no Rio?
Na minha opinião, a Guarda Municipal deve ter poder
de polícia, sim. Apresentei uma PEC que trata desse
assunto, em Brasília. Quanto mais policiadas as ruas,
havendo integração com a PM e a Polícias
Civil e Federal, melhor.
Para
o senhor, de que forma o Rio pode se livrar da insegurança
pública? Será que estamos numa via sem retorno?
O Rio está condenado a viver para sempre com a violência?
Ninguém inicia vida criminal num grande delito e
a permissividade não pode continuar. Vamos reduzir
a violência quando os pequenos delitos forem punidos
com agilidade e o cidadão entender que ele é
parte da engrenagem, pois não adianta dar jeitinho
com o guarda e depois criticar o sistema. Usar drogas e
depois criticar o narcotráfico... e assim por diante.
É uma tarefa de todos nós.
Qual será o maior desafio no seu novo cargo?
Estou no meu quarto mandato parlamentar. Antes de ser eleito
deputado federal, fui vereador por três mandatos,
secretário municipal de Administração
e administrador regional de Copacabana/Leme. Sei bem as
inúmeras dificuldades que um gestor público
precisa superar para governar. Não foi à toa
que, enquanto estive na Secretaria de Administração
promovi a desburocratização, criando um sistema
matricial, reduzindo níveis hierárquicos,
prazos e custos e lutei pela transparência. Por outro
lado, o povo não pode esperar muito para que a vida
melhore. Por isso acredito que meu maior desafio, como deputado
federal, é criar Leis que beneficiem a vida do cidadão,
principalmente a do carioca, e ajudar os gestores públicos
criando propostas que facilitem sua administração.
Como
o senhor se sente, sabendo que o seu nome é um dos
mais cotados a substituir Cesar Maia na Prefeitura do Rio?
Estou na política para realizar. Assim me sinto útil.
Hoje sou deputado federal, fui eleito com 91.538 votos e
busco honrar cada eleitor.
Fonte:
Jornal ASFUNRIO |