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A Liderança sem Autoridade


Por: Wagner Siqueira*

Até pouco tempo a liderança nas organizações costumava ser bastante fácil. As relações gerenciais se fundavam apenas na dinâmica do comando/controle, na hierarquia interposta pelos cargos, no binômio de que uns devem mandar e outros obedecer. Os gerentes, supervisores, mandavam. Os subordinados, empregados, obedeciam.

Agora, são as novas teorias de gestão organizacional - qualidade total, reengenharia, organizações de aprendizagem, entre outras - que tornam imprescindível a substituição da gerência baseada na autoridade pela energização e foco na participação do subordinado.

E aí desponta a perplexidade: se os líderes não mais dispõem de autoridade funcional para mandar, como podem liderar? Eis a questão reiteradamente colocada por executivos atônitos face à imposição de novos valores, atitudes e comportamentos.
A resposta não é de fácil aplicação, mas certamente consiste em desenvolver nos quadros gerenciais a competência educativa, pedagógica, consultorial e de aconselhamento, de tal forma que os subordinados tenham no gerente uma referência e a matriz do processo de aprendizagem na organização.

Para ser bem sucedido, o novo executivo precisa ser capaz de influenciar os demais, fazê-los pensar e buscar os próprios caminhos, aprender e simultaneamente ensinar. Mas para que possa exercer de fato tais influências ele precisa compreender com adequação o porquê dos comportamentos das pessoas, os conceitos, julgamentos, valores, crenças, opções e razões nas quais se fundamentam.

O mundo percebido é fonte e limite do comportamento humano. As percepções das pessoas são, por sua vez, definidas pelas concepções que fazem a respeito da natureza humana. Assim, se deseja mudar comportamentos há que se compreender e apreender as concepções que determinam as ações e reações das pessoas face a uma dada realidade.

O próprio executivo, antes de tudo, precisa ele próprio compreender as concepções, conscientes ou não, nas quais se apóia e que, por sua vez, condicionam o seu comportamento.

Os executivos tendem a rejeitar as dimensões psicológicas da gerência. No entanto, por exemplo, o insight ou a intuição é um dos mais poderosos instrumentos de liderança que o executivo tem hoje a seu dispor. É preciso também que aprenda a construir relações de confiança com os seus subordinados e seja capaz de quebrar os preconceitos e juízos estabelecidos daqueles que deseja influenciar.

Enfim, uma nova realidade gerencial se coloca para o executivo, que precisa de fato exercer uma nova liderança, despojado da velha autoridade. O desafio não é fácil, mas a sua resposta prática redundará na construção de uma organização bem mais humanizada.

*Wagner Siqueira é secretário municipal de Administração.

 

Fonte: Jornal ASFUNRIO

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