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“CONSELHEIROS ELEITOS DO PREVI-RIO ESQUECERAM A BASE”

*Entrevista com Reinaldo de Jesus Cunha

O presidente da Asfunrio e suplente do Conselho de Administração do Previ-Rio, Reinaldo de Jesus Cunha, em entrevista ao JORNAL ASFUNRIO, fez uma análise do processo eleitoral de 2003, onde ocorreu a primeira eleição dos oito conselheiros da entidade. Segundo Reinaldo, a mobilização das entidades servidores em 2003 foi o ponto alto do processo eleitoral, que envolveu a articulação de mais de 40 delas.

Para Reinaldo, o processo eleitoral de 2006 provoca desconfiança do eleitor porque os servidores só poderão votar através da internet, sistema ainda não confiável para eleições de grande porte. Existem hoje cerca de 140 mil servidores aptos a votar e não haverá computador suficiente para todos. Veja abaixo os principais trechos da entrevista concedida por Reinaldo.

JORNAL ASFUNRIO - Como foi a atuação das entidades de servidores na articulação da primeira eleição para o Conselho de Administração Previ-Rio, em 2003?

REINALDO - De fundamental importância. Foi o carro-chefe de toda a articulação nos bastidores das eleições. A atuação deu legitimidade ao processo eleitoral.

JA - Quais as entidades que se destacaram nesta luta?
REINALDO - Foram diversas entidades de servidores públicos municipais, um total de 40. Além da Asfunrio, destacamos a Força Ativa do Servidor, o Clube Municipal, a FASP, a ASCONT, ASPREVI-RIO, Associação dos Agentes de Fazenda, e Fiscais, e do Tribunal de Contas do Município. Também participaram outras entidades estaduais de servidores públicos.

JA - Como eram estas reuniões?
REINALDO - Lembro que foram várias reuniões memoráveis, artigos em jornais das entidades e várias assembléias descentralizadas, cada uma em lugar diferente. O Clube Municipal foi um parceiro importante na convocação e articulação do movimento.

JA – Como o prefeito Cesar Maia colaborou neste processo?
REINALDO - Ele colaborou não diretamente, mas indiretamente. No discurso de posse dos conselheiros isto ficou bem claro. Ela deu boa vinda aos novos conselheiros, falando atodos da missão e do trabalho que os conselheiros teriam pela frente. O Previ-Rio, Instituto de Previdência do Município do Rio de Janeiro, foi uma de suas maiores realizações, uma verdadeira conquista para os servidores municipais. O Previ-Rio disponibilizou para os servidores carta de créditos para compra de imóveis, empréstimos, pecúlios e outros benefícios e, recentemente, abriu linha de crédito para compra de computadores.

JA - Como você avalia essas conquistas?
REINALDO – Foram um avanço para os servidores. O prefeito Cesar Maia, como juiz do processo, conduziu com desenvoltura a articulaçãopara a realização da primeira eleição para o Conselho de Administração do Previ-Rio. Neste sentido, não posso deixar de admitir que isto tem a sua marca, ou seja: o FUNPREVI/PREVI-RIO se encontra hoje no Brasil em um patamar de credibilidade, inovação e transparência nas suas ações. Sem dúvida que, a presença do Cesar Maia, um líder com carisma e credibilidade nacional, foi fundamental para inovação do Previ-Rio e da máquina administrativa da prefeitura.

JA - Quais foram os compromissos assumidos pelos pré-candidatos ao Conselho de Administração do Prev-Rio, em termos de unidade do movimento?
REINALDO - Aí merece uma referência ao Clube Municipal e as lideranças de entidades que conduziram o processo das eleições de 2003, num total de 40 entidades. O principal compromisso dos oito candidatos foi manter a unidade do movimento depois de eleitos, além do compromisso de voltarem às bases para passar informe das suas atividades de interesse dos servidores.

JA - E isto aconteceu?
REINALDO – Infelizmente, não. Logo após a posse dos novos Conselheiros, cada um cuidou de si e o movimento dos servidores ficou em segundo plano. Porque isto aconteceu? Acredito que foi, em primeiro lugar, por um pouco de vaidade dos conselheiros. Também pela inexperiência política, já que se tratava da primeira eleição. Faltou também uma articulação do movimento de associações para cobrar uma atitude dos conselheiros eleitos. Estive recentemente no Clube Municipal, em uma reunião da Força Ativa dos servidores. Lá, houve uma espécie de aglutinação de associações com propósitos dos mais diversos em defesa dos servidores. Ao meu ver, faltou compromisso dos conselheiros eleitos com as bases.

JA - Quais foram os aspectos positivos das eleições de 2003?
REINALDO - A mobilização dos servidores. Isso foi muito importante para conhecimento dos reais objetivos do Previ-Rio. Afinal, o Previ-rio, administra o FUNPREVI, Fundo de Previdência dos Servidores Municipais.

JA – À época, como foi feita a divulgação dos candidatos?
REINALDO - Acredito que aí houve uma falha na comunicação com os segurados. A Secretaria Municipal de Administração (SMA) divulgou através de um jornal o currículo dos candidatos e uma pequena síntese do que é o Conselho de Administração. Mas, infelizmente, nem todos servidores tomaram conhecimento do processo eleitoral.

JA - Os aposentados, inativos e pensionistas votaram?
REINALDO – Sim. A acredito que este segmento foi o mais bem mobilizado. Isto porque receberam através do contra-cheque, em sua residência, um comunicado sobre a eleição, solicitando o seu comparecimento ao Previ-Rio. Nós sabemos que o aposentado e pensionista têm que estar constantemente indo ao órgão para recadastramento. Quando se fala em comparecer, o primeiro pensamento é ficar sem salário e aí ele se mobiliza.

JA - E as urnas, de que forma foram instaladas na prefeitura?
REINALDO – Nesse sentido, houve uma falha da máquina municipal. Somente alguns lugares, considerados estratégicos, receberam as urnas. Porém, muitos outros locais importantes ficaram de fora, como os hospitais e os postos de saúde, além dos servidores dos Serviços Sociais da SMAS. Muita gente não soube da eleição. Muitos eleitores reclamaram da falta da informação e alguns até se recusaram a votar. Com isso, apenas 5% dos eleitores votaram.

JA - Como foram conferidos os votos dados aos candidatos?
REINALDO – Com a abertura das urnas, cada candidato conferia os votos dados aos pretendentes do cargo. Neste aspecto, acho que a Comissão Eleitoral trabalhou com bastante transparência.

JA - Você acha que deveria ser usado o mesmo sistema da eleição anterior nas próximas eleições?
REINALDO - Sim, desde que fosse permitida uma maior divulgação para facilitar a votação dos candidatos.

JA – Um ato da Secretaria Municipal de Administração (SMA) estabelece que a votação de 2006 será on line. Qual é a sua opinião?
REINALDO - Acho complicado esse sistema. Acredito que as lideranças e o próprio servidor estão um pouco desconfiados desta nova modalidade de votação. Ainda é cedo para fazer uma avaliação mais crítica. Porém, vamos ver o que acontece daqui por diante.

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