| Secretário
avalia os benefícios do pregão
Novo sistema de compras eletrônico da Prefeitura
já mostra resultado positivo e pode render economia
de mais de R$ 50 milhões por ano aos cofres do município.
O
pregão eletrônico – novo
sistema de compras adotado no final do ano passado pela
Prefeitura do Rio – já sinaliza positivamente
para os cofres do município. A primeira compra do
pregão foi para a aquisição de peças
para veículos e conseguiu uma redução
de 33% nos gastos. Segundo o secretário municipal
de Administração, Wagner Siqueira, o pregão
pode favorecer a redução de 30% nos valores
das compras da Prefeitura.
A economia da Prefeitura pode atingir a cifra de mais de
R$ 50 milhões por ano. Para se ter uma noção
dessa possível economia, em 2005, a prefeitura gastou
cerca de R$ 1,7 bilhão em contratações
de serviços e compra de materiais comuns. Se o pregão
já tivesse sido implantado, poderia, no mínimo,
conseguir uma redução de R$ 170 milhões
só naquele período. Abaixo, segue na íntegra
a entrevista exclusiva concedida pelo secretário
Wagner Siqueira ao Jornal Asfunrio sobre este assunto.
JORNAL ASFUNRIO - O que levou a prefeitura
do Rio de Janeiro a adotar o pregão como forma de
contratação ou aquisição de
bens e serviços ?
WAGNER SIQUEIRA - O principal benefício
introduzido por um sistema em uma organização
é a mudança cultural. A partir de novos processos,
possibilitados pelo ambiente eletrônico, pode-se vivenciar
novas práticas, que internalizam novos conceitos,
construindo o alicerce para visões organizacionais
mais aguçadas e abrangentes.
Segundo esta ótica, acreditamos que a adoção
da solução de compras eletrônicas pode
trazer vários benefícios para a PCRJ, sendo
osprincipais a economicidade (redução de 15%
a 30% no valor das compras), transparência e maior
celeridade nos procedimentos de compras.
São
Paulo foi o primeiro estado a adotar o pregão. Houve
uma adaptação deste modelo no Rio, de que
forma?
Na verdade, O Estado de São Paulo só começou
a operar o pregão eletrônico a partir de maio
de 2006 e até o momento só realizaram com
sucesso 9 pregões. Eles utilizam o sistema Banco
Eletrônico de Compras, que ainda está sofrendo
adaptações para que possa ser utilizado em
grande escala.
Quem realiza o pregão eletrônico desde outubro
de 2003 é a Companhia de Saneamento Básico
de São Paulo, que hoje tem 99% de suas compras realizadas
pelo Sistema.
Após visita de técnicos da SMA à SABESP,
conseguimos realizar uma parceria onde nos foi repassado
o Sistema de Gerenciamento de Licitações,
com total apoio técnico e sem ônus para PCRJ.
Atualmente, estamos adaptando o Sistema à nossas
necessidades, com o auxílio dos técnicos da
SABESP.
O
secretário acredita que a economia com esta modalidade
de aquisição ou contratação
de bens e serviços irá ultrapassar a estimativa
inicial de 20%?
Ano passado realizamos um Pregão Presencial para
registro de preços de material de expediente e obtivemos
uma redução de 18,72%, o equivalente a pouco
mais de R$ 2 milhões. Como o pregão eletrônico
possibilita a participação de empresas de
todo território nacional, acredito ser possível
ganhos acima de 20%.
A economia com o estabelecimento do pregão
poderá ultrapassar a ordem dos R$ 50 milhões
por ano ?
Em 2005, a Prefeitura do Rio de Janeiro contratou serviços
e comprou materiais comuns no valor aproximado de R$1,7
bilhão. Com uma economia média de 10%, economizaremos
R$170 milhões por ano.
A
SMA pretende realocar os valores economizados com esta modalidade
de licitação? Quais serão os setores
beneficiados?
Os orçamentos utilizados nas licitações
são dos órgãos e não da SMA,
mas a redução nos gastos, principalmente na
área administrativa, permitirá que mais demandas
sejam atendidas. A economia gerada com a realização
dos pregões reverterá em inúmeros benefícios
para a Prefeitura, o que vale dizer, para toda a população
da nossa cidade.
Quais
são os fatores já sentidos com a implantação
do pregão eletrônico?
Realizamos a primeira comprapor pregão eletrônico
no final de 2006, para aquisição de peças
para veículos, cujo valor estimado era inferior a
R$ 8 mil. Tradicionalmente, esta seria uma compra feita
por dispensa de licitação, em função
da estimativa da despesa ser inferior a R$ 8 mil, conforme
regramento da Lei 8.666/93.
Foi a nossa primeira experiência com o pregão
eletrônico, que transcorreu sem nenhum problema, onde
obtivemos uma redução aproximada de 33% em
relação aos valores inicialmente estimados.
Isto gera uma grande expectativa e muito nos anima em relação
às reduções quepoderemos obter nos
gastos da Prefeitura daqui para a frente.
Em relação à transparência e
competitividade, considero um grande avanço, uma
vez que para este tipo de contratação eram
consultados diretamente 3 ou 4 fornecedores e o que apresentasse
a menor proposta ganhava. Não havia disputa. Com
o sistema eletrônico, há disputa, onde cada
fornecedor procura cobrir a proposta do outro, oferecendo
um maior desconto, sem que os participantes saibam com que
empresas ele está concorrendo.
A
eliminação acentuada da burocracia é
um dos elementos favoráveis do pregão eletrônico,
por favor, explique sobre a redução de prazos,
a transparência e a competição entre
os fornecedores.
O que buscamos não é a simples adoção
do pregão eletrônico, mas a construção
de um modelo de gestão de aquisições
flexível e descentralizado, que pode ser operado
de forma centralizada, com delegações e escalas
de competência. Este modelo possibilitou, na SABESP,
a redução significativa do tempo de ciclo
de compras, além de reduzir o trâmite de 21
assinaturas em 39 documentos, para 1assinatura (processo
eletrônico).
Redução do prazo - Uma concorrência
que leva em média 108 dias para ser concluída,
se não ocorrerem suspensões judiciais, com
o pregão levará no máximo 20 dias,
nas mesmas condições.
Transparência - o julgamento das
documentações e propostas são realizados
na audiência do pregão, podendo os licitantes
interpor o recurso também na seção.
Quer dizer, todo o procedimento é realizado na seção,
diante de todos os licitantes.
Competição - O pregão
funciona como um Leilão Reverso, ondequem oferecer
o menor preço é o vencedor.
Desta forma, há muito mais competição
do que na forma tradicional onde um só conhece o
preço do outro no momento da abertura dos envelopes
de preço sem possibilidade de revisão do preço
ofertado, mesmo tendo margem para isto. No pregão,
o licitante pode dar um preço e, verificando que
seu preço não é o vencedor, poderá
apresentar uma nova proposta no mesmo momento. Assim, cada
empresa participante vai apresentando novas propostas até
o seu limite de redução.
Fonte:
Jornal ASFUNRIO
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