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Bandas
no Complexo da Maré
O
mercado fonográfico do Rio de Janeiro é cruel
no sentido de conceder oportunidade para novas expressões.
Mesmo assim, aqui e ali, em várias comunidades, o
que não falta é gente inteligente e criativa,
produzindo arte, produzindo cultura de raiz, produzindo
sonoridade. No Complexo da Maré, por exemplo, há
várias bandas que podem muito bem dar conta do recado
e exportar para a cidade, quiçá para o país
e para o mundo, uma nova linguagem musical dentro da MPB.
O único problema é a falta de oportunidade,
de espaço, para mostrar o que eles aprendem e fazem
(incansavelmente) dentro da comunidade, enfrentando a discriminação
e várias dificuldades.
Para o guitarrista da banda “The Loks”,
Gildásio da Silva, um dos fundadores, a
saída é manter a perseverança e buscar
possivelmente a diversidade do mercado paulista. “Eu
não desisto. Estou atualmente desempregado, mas sempre
treinando com os demais músicos da banda. Queremos
gravar um CD e batalhar espaço de apresentação
em São Paulo. Aqui o mercado é muito restrito.
Não tenho medo do futuro, adoro o meu trabalho, confio
no som que produzimos e temos a perspectiva de um futuro
promissor”, acredita Gildásio, que está
no “The Loks” desde o surgimento da banda, há
9 anos.
A banda já fez várias apresentações
na Lona Cultural Hebert Vianna, na Maré,
e está se esforçando para garantir um espaço
na abertura de um show no Circo Voador,
no Centro do Rio, previsto para o mês que vem. Segundo
um dos produtores da “The Loks”,
Wilson Graúda, que além dessa produz
mais três bandas na Maré, o trabalho dos músicos
é maciço, de segunda a segunda treinam para
se autoaprimorar. “Eles (os músicos) são
muito esforçado. Embora ainda tenhamos dificuldade
em apresentar o nosso trabalho, todos nós acreditamos
que podemos vencer. Acreditamos que a música pode
nos libertar das barreiras da exclusão social. Temos
que continuar firme, acreditando num futuro melhor, sem
deixar de produzir”, orienta
Graúda.
(Produção: Carlos - 8132-6376)
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