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que partidos e políticos não garantem a diguinidade
humana
Este
ano haverá mais uma eleição. Mais uma,
para reforçar, no sentido pejorativo da palavra.
Porque ninguém tem mais disposição
para agüentar promessas de candidatos, ninguém
mais acredita que “fulano” ou “ciclano”
irá mudar o rumo deste país. Por que nenhum
candidato consegue fazer diferente? Por que nenhum candidato
consegue garantir vida digna ao povo? Ou seja, oferecer
um salário decente, educação disposta
a formar cidadãos globalizados, hospitais onde jamais
haja dificuldade em quaisquer atendimentos, saneamento básico,
empregos, segurança pública (o que impede
no direito de ir e vir) e outras necessidades básicas
ao ser humano???
A resposta não é tão difícil.
Porque neste extenso solo brasileiro, infelizmente, o que
impera é a “esperteza”, o “ganho
mole”, a “vida fácil”. As pessoas
estão sempre querendo tirar proveito e lançam
mão do chamado “jeitinho brasileiro”.
Quer ver só como é fácil fazer uma
reflexão a respeito. Quem é que não
sabe da existência de alguém que, ao saber
que o vizinho contratou serviços de uma determinada
tv à cabo, não arrumou um “jeitinho”
de puxar um fio para assistir de graça toda a programação?
Quem é que não arrumou um “jeitinho”
para furar a fila em banco? Quem é que nunca soube
de alguém que tenha feito “gatos” para
roubar luz e água? Quem é que nunca soube
de alguém que tenha comprado carteira de habilitação,
espaço para antecipar alguma cirurgia? E por aí
vai.
A lista de facilidades neste país é imensa.
Por isso, cada vez mais me convenço de que o problema
não é um caso isolado, de um partido ou de
um político específico. O problema está
aquém. O problema é de cada indivíduo
que, em vez de fazer diferente; de ser honesto, pontual
e correto, prefere a “esperteza”. Quem pensar
que facilidades citadas acima – talvez consideradas
por alguém de âmbito menor -, não conseguem
tomar proporções maiores e influenciar os
governantes, os militares e o desenvolvimento econômico
deste país, está enganado.
Não adiante trocar de legenda, votar nulo, votar
no candidato de pouca expressão. Presidente, ministro,
senador, governador, deputado, juiz, advogado, atleta, prefeito,
policial, economista, professor, empresário, banqueiro
são seres humanos. Esses indivíduos, por estarem
tão acostumados ao “jeitinho brasileiro”,
não conseguem se livrar dele mesmo quanto atingem
esferas importantes na sociedade. Então, acredito
que tudo parte do ser humano e volta para si. É uma
cadeia de bate e volta.
A saída, pelo menos para mim, é uma só.
Mudar o sistema de interação com as pessoas,
mudar a nossa maneira de pensar e agir, mudar a relação
com o meio ambiente (quem é que nunca jogou um papel
de bala na rua?) e com tudo que nos cercam. Procurar fazer
diferente, pensar no amanhã, acreditar que a lei
de causa e efeito existe e permeia tudo no universo. Como
diz um líder budista: “a mudança de
um único indivíduo pode promover efeito na
vizinhança, na empresa onde trabalha e atingir toda
uma nação”. Se nos permitirmos a exercermos
a nossa capacidade humana, a nossa cidadania, veremos que
tudo pode ser diferente e só depende de uma única
pessoa: eu.
(*)
Roberta Araujo é jornalista
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