Educação
e violência: desabafo
A sociedade brasileira tem passado por mudanças visíveis
que são decorrentes de muitos motivos: globalização,
diversificação da informação,
avanços científicos e outros. Cada tema exige
dos cidadãos uma consciência mais dinâmica
e uma maior participação nos fatos. Em contrapartida
a este desenvolvimento frenético, temos um sistema
educacional frágil e por que não dizer dramático.
Nas escolas, as crianças e os adolescentes vivem
hoje todos os tipos de violência: a degradação
familiar, o desemprego estrutural, a miséria, fome
e muito mais. Com este cenário, a escola acabou se
transformando para os professores uma verdadeira arena.
Um educador nos dias atuais precisa de muita convicção
no seu trabalho, ou melhor, no seu amor pelo ensino, para
conseguir vencer tais problemas sociais. Sem falar na evasão
escolar, algo que deixa qualquer professor preocupado.
Neste sentido, a violência precisa ser vista e entendida
como efeito e não uma causa do caos social em que
vivemos. Se as autoridades continuarem a ignorar o débil
sistema educacional deste País, vamos ter ainda números
mais alarmantes de violência. Este setor precisa de
investimentos, mas não é para hoje, é
para ontem. Este importante setor carece de pessoas que,
nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal),
tenham amor pelo ser humano. Que queiram, na verdade, fazer
uma revolução, mais uma revolução
humana. Que queiram criar um sistema educacional direcionado
a semear e extrair o que há de melhor em cada criança,
em cada adolescente, em cada adulto. Mas ao que tudo indica
o governo tem interesse em manter esta alienação,
em desenvolver um povo ignorante que só pense em
fazer violência. Até quando vai isso?
• Mário Thurler é professor de História
da rede estadual e vice-presidente da Asfunrio
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