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CENAS DOS BASTIDORES DA ELEIÇÃO DO PREVI-RIO


As eleições para o Conselho de Administração do Previ-Rio tiveram algo de singular: A Senha para a Vitória. No sentido literal, chegaram primeiro à reta dos bosques àqueles que não infringiram as normas estabelecidas. Ou seja, não panfletaram, não colocaram cartazes dentro dos órgãos públicos e nas dependências da máquina administrativa. Chegaram primeiro mesmo sem abrir a boca, mesmo sem dizer o por quê vieram. Mas então qual foi a premiação dessa corrida? A conquista de quatro vagas titulares de “ouro” para o Conselho de Administração do Previ-Rio. Quem não conseguiu uma vaga entre os oitos, sinto muito está fora do jogo. Neste pleito, ora on-line, ora por urnas, não faltaram cenas inusitadas.

No posto avançado no CASS, onde tiveram urnas, momentos marcantes chamaram a minha atenção. Um eleitor, ao ver um tímido cartaz da Prefeitura avisando da eleição, diz para um membro da Comissão Eleitoral? O que eu preciso fazer para votar? “Uma senha, contra-cheque, CPF e a matrícula”, respondeu. “Mas que senha?”, perguntou, espantado, o eleitor? “Eu não recebi senha nenhuma”, disse ele? “Aí, meu caro, este não é um problema meu”, respondeu, laconicamente, um dos membros da Comissão. “A sua senha deve está com o seu chefe, seu diretor?”, completou. “Mas eu sou o chefe do meu departamento e não soube desta eleição, a não ser por um cartaz que acabei de ver”, questionou o insistente eleitor.

E continua o “gestor”: “Ah, meu amigo, reclama lá com o Departamento Pessoal de sua Secretaria, os contra-cheques foram entregues? Desculpe, mas não posso ficar batendo boca com o senhor”, encerrou o primeiro episódio. Em seguida, um servidor ávido para votar interrompe o bate-boca. “Eu quero votar”. “Está aí com o seu CPF, identidade, senha...”, perguntou o agente daComissão Eleitoral. A senhora respondeu: “Estou com a identidade e a senha para votar”, disse a aposentada. Mas então a senhora não poderá votar. O sistema só aceita o voto com os três elementos: senha, CPF e matricula”, respondeu o agente. “Não adianta, minha senhora, o sistema não aceita”, intrometeu um “fiscal” que estava observando a conversa.

Foram vários casos que surgiram nesta eleição. Em poucos segundos surgiu outro. “Eu posso votar? Estou com o crachá e o CPF”, disse o eleitor. “Sim, você está habilitado para votar”, respondeu. O rapaz conseguiu votar sem a senha na mão porque foi dada uma exclusividade para eleitores que vieram de longe e por algum motivo não receberam contra-cheque com a senha. E, neste caso, ele se enquadrava. Conclusão: houve “voto em separado”.

Outra cena pitoresca foi ver um servidor cansado de subir e descer escadas, vasculhando vários departamentos, na tentativa de achar a anfitriã do dia: a tão famosa senha. Ele jamais soubera da eleição, mas fazia questão de votar e foi impedido porque não a tinha. Mesmo assim ele se dispôs a encontrá-la. Resultado: desistiu de votar, não a encontrou.

Passando por vários departamentos para checar o motivo que inviabilizou que todos os servidores recebessem a senha para a votação, ouvi o seguinte: “Olha, senhor, ninguém sabe de nada, eles entregaram estes contra-cheques, mas não deu tempo de entregar a todo mundo”. Respondi: “Faça um esforço, ligue para as chefias descentralizadas, peça para pegar as cédulas de votação”. E ouvi um sonoro... “Ah, seu moço, eles não estão nem aí, e eu estou muito ocupado com o meu serviço, quem quiser que se vire”. No posto avançado do CASS, único lugar credenciado para votar em separado, vão chegando alguns aposentados querendo saber em quem votar. “Em quem eu voto?”, pergunta um. “O sr. escolhe entre aqueles ali”, diz um funcionário, apontando para um cartaz com as fotos e os nomes dos candidatos. A maioria, além de não receber senha, não sabia nem em quem votar. Houve também confusão a respeito da suspensão da eleição, que logo foi retomada. Enfim, no pleito deste ano, houve de tudo.

Reinaldo de Jesus Cunha é presidente da Asfunrio e suplente do Conselho de Administração do Previ-Rio.

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