Prefeitos
cobram mais recursos da União
BRASÍLIA - O governo federal se prepara para uma
semana tensa em Brasília. Depois da crise causada
pela rebelião dos controladores de tráfego
aéreo, agora são os prefeitos que ameaçam
agitar a capital federal com a marcha que realizam anualmente
a Brasília.
De
acordo com a Confederação Nacional dos Municípios
(CNM), organizadora do evento no Hotel Blue Tree, às
margens do Lago Paranoá, mais de 2 mil prefeitos
deverão chegar à capital entre hoje e amanhã.
Nos
últimos dias, o Palácio do Planalto tentou
contornar o desgaste que acumula com os prefeitos pela
não aprovação, depois de três
anos, do aumento de um ponto percentual no Fundo de Participação
dos Municípios (FPM).
Atualmente,
o FPM distribui entre as prefeituras 22,5% da arrecadação
federal do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI). Os prefeitos querem que esse porcentual
vá para 23,5% - cerca de R$ 1,7 bilhão a
mais, em valores de 2007.
A
estratégia do governo é transferir a votação
do FPM para o segundo semestre, junto com a prorrogação
da Contribuição Provisória sobre
Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação
das Receitas da União (DRU), que são de
seu interesse direto. Os prefeitos, entretanto, exigem
concessões imediatas, como a votação
da emenda constitucional que limita os gastos de estados
e municípios com precatórios e o apoio às
mudanças na legislação que regula
a repartição de royalties.
Os
municípios receberam em 2006 cerca de R$ 3,5 bilhões
de royalties, mas 83,6% desse valor é concentrado
por 50 prefeituras endinheiradas, quase todas do litoral
fluminense. A CNM tenta convencer o governo federal a
incluir na pauta da reforma tributária mudanças
dos critérios de distribuição desses
recursos.
Entre
os técnicos do Ministério da Fazenda, há
uma posição favorável à alteração
nas regras de repartição dos royalties,
mas há dúvidas sobre a viabilidade política
da mudança, que contraria os interesses de alguns
prefeitos e do governador do Rio, Sérgio Cabral
(PMDB), um dos principais aliados do presidente Lula.
Sem
ter muita coisa o que oferecer, o Planalto tentará
aproveitar o período da marcha para oficializar
um pacote de medidas na área de educação,
como o aumento do auxílio financeiro à merenda
escolar e a redução a zero do IPI sobre
ônibus escolares. De acordo com fontes do governo,
a desoneração tributária também
será estendida a ambulâncias e outros equipamentos
rodoviários usados pelas prefeituras, como tratores
e máquinas niveladoras.
Os
prefeitos, entretanto, reclamam que o plano para o transporte
escolar é insuficiente e querem "injeção
direto na veia", ou seja, dinheiro vivo para investir
e cobrir as despesas que acumulam com o processo de descentralização
da saúde e educação. De acordo com
o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, os municípios
estão no limite de uma crise financeira.
Fonte:
www.tribunadaimprensa.com.br