Serra
defende o fim da reeleição
BRASÍLIA - O governador de São Paulo, José
Serra (PSDB), defendeu ontem o fim da reeleição.
Ao mesmo tempo, porém, afirmou que não faz
"nenhum trabalho de articulação a este
respeito, até porque há opiniões
diferentes no PSDB".
Referiu-se
ao fato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ter
feito uma pregação oposta na véspera
(terça-feira), em defesa do instituto que lhe assegurara
o segundo mandato, enquanto o governador de Minas Gerais,
Aécio Neves (PSDB), propusera, no início
da semana, acabar com a reeleição e esticar
o mandato de quatro para cinco anos.
"Não
abandonei nem introduzi (o debate do fim da reeleição)
porque não estou trabalhando com esta bandeira.
Minha posição não é nova nem
está ligada à conjuntura", insistiu
Serra que afirmou pensar da mesma forma desde 2001.
"Vi
que havia problemas com a reeleição",
emendou ele, que, durante a última campanha presidencial,
uniu-se a Aécio para fechar um acordo anti-reeleição
com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin
(PSDB).
Serra
e o governador de Minas Gerais são as maiores reservas
do partido na sucessão do presidente Luiz Inácio
Lula da Silva, com a diferença de que, a continuar
valendo a reeleição, o paulista tem a alternativa
de disputar, novamente, o governo de São Paulo
e o mineiro cumpre a segunda gestão.
Mas
proibir prefeitos, governadores e presidente de concorrerem
ao posto mais uma vez não é tarefa fácil
no Congresso. Para tal, a Câmara e o Senado terão
de aprovar uma emenda constitucional em dois turnos de
votação em cada uma das Casas.
"Eu
refleti a respeito da conveniência da reeleição
para o País, da qual fui partidário, e acho
que ela poderia ser revista", observou Serra. Em
seguida, porém, deixou claro que queria encerrar
o assunto. "Vim aqui para falar de segurança
pública e não vou transformar outra coisa
em lead", sentenciou.
O
governador fez um périplo pelo Congresso, ontem,
em defesa do projeto que prevê o monitoramento de
presos em regime semi-aberto ou liberdade condicional,
por meio de uma pulseira. "Este seria um instrumento
muito importante no combate do crime" disse, depois
de uma visita aos gabinetes dos presidentes da Câmara,
Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Congresso, senador Renan
Calheiros (PMDB-AL), ao lembrar que 56% de todos os presos
do País estão em São Paulo.
Lula
No fim do dia, Serra foi recebido por Lula no Palácio
do Planalto, depois de uma visita à chefe da Casa
Civil, Dilma Rousseff. "Fui ao Palácio apenas
para acompanhar vários prefeitos de São
Paulo que estavam em Brasília discutindo investimentos
em favelas", justificou Serra, ao revelar que foi
Dilma quem o encaminhou ao gabinete presidencial.
O
governador tratou do segundo tema que mais o preocupa:
o limite de endividamento do governo do estado. Lembrou
que, no caso específico de São Paulo, que
cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), a linha
ainda não foi atingida, mas nem assim o governo
estadual pode contratar novos empréstimos.
Segundo
Serra, isto ocorre porque o Tesouro invoca o acordo da
dívida firmado com os governadores, que tem regras
mais rígidas do que a LRF pela qual as administrações
estaduais podem contrair empréstimos no valor de
até o dobro da quantia que arrecadam.
O
governador queixa-se de que não pode comprar novos
trens para o metrô, embora a Lei de Responsabilidade
lhe desse uma folga de mais R$ 7 bilhões em novos
empréstimos. "Nossa conversa (com Lula) foi,
basicamente, sobre endividamento porque se isto não
mudar, os estados ficarão todos engessados",
afirmou na saída do Planalto.
Conforme
Serra, o presidente ouviu tudo com muita atenção,
recebeu bem os argumentos e comprometeu-se a levar o assunto,
mais uma vez, ao Ministério da Fazenda.
Fonte:
www.tribunadaimprensa.com.br