Quinta
candidatura do PMDB foi articulada por senador petista
BRASÍLIA - O senador Pedro Simon (PMDB-RS), considerado
‘independente’ pelo partido, aceitou ontem
disputar a presidência do Senado, na vaga deixada
por Renan Calheiros (PMDB-AL) após a renúncia.
A candidatura foi articulada pelo petista Eduardo Suplicy
(SP), que ocupou a tribuna para defender a idéia
e, depois, para dizer que o convite a Simon havia sido
aceito.
O
PMDB tem prioridade para comandar a Casa por ter a maior
bancada. Quarta-feira já havia lançado oficialmente
quatro nomes: Garibaldi Alves (RN), Leomar Quintanilha
(TO), Neuto do Couto (SC) e Valter Pereira. O ex-presidente
da República José Sarney (AP) vem recebendo
vários apelos públicos — inclusive
do presidente Luiz Inácio Lula da Silva —
para se candidatar, mas ontem reafirmou que descarta essa
possibilidade. O partido quer definir um candidato de
consenso até terça-feira, véspera
da eleição.
A
atuação de Suplicy para lançar a
candidatura de Simon foi recebida com irritação
pelo peemedebista Almeida Lima (SE), tradicional aliado
de Renan, que acusou o petista de se meter no partido
alheio. Ele argumentou que, se Suplicy pretende opinar
sobre questões internas do PMDB, precisa se filiar
ao partido antes.
Com
o apoio de Cristovam Buarque (PDT-DF), Suplicy já
havia colhido pelo menos 28 assinaturas de parlamentares
governistas e da oposição em um documento
para ser enviado à direção nacional
do PMDB pedindo a indicação de Simon. Até
o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio
(AM), admitiu a possibilidade de apoiar o senador gaúcho:
“É um bom nome. Entendemos que Pedro Simon
projeta uma boa imagem para a sociedade”.
Apesar
das repetidas negativas de Sarney, seu nome também
ganhou força ontem como possível candidato.
Ele, que já ocupou o cargo de 1995 a 1997 e de
2003 a 2005, é bem visto pelos governistas e pela
oposição, mas argumenta: “Estou com
78 anos. Tenho que terminar minhas memórias e me
dedicar ao Amapá. Se não escrever minhas
memórias, eu morro e não escrevi”.
CONTRA
ARQUIVAMENTO
Ontem
o PSDB e o DEM apresentaram recurso contra o arquivamento
dos processos contra Renan, determinado terça-feira
pelo presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha
(PMDB-TO). O arquivamento foi feito por despacho, sem
o consentimento dos demais integrantes do conselho. Para
os democratas, a ação de Quintanilha foi
“arbitrária” e “ilegal”.
O
recurso foi apresentado ao próprio presidente do
conselho. “Queremos que ele reconsidere a decisão
ou que a submeta ao plenário”, afirmou o
senador Demostenes Torres (DEM-GO).