Governo
é derrotado na CPMF mas salva a DRU
Por
Renata de Freitas
BRASÍLIA
(Reuters) - O governo não conseguiu passar dos 45
votos favoráveis à prorrogação
da CPMF, como previa a oposição. Assim, após
uma sessão que durou quase 8 horas, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva saiu derrotado, já
na quinta-feira, na polêmica questão do chamado
"imposto do cheque". Obteve, no entanto, sucesso
em manobra para salvar a medida que desvincula receitas
da União.
O lance final das árduas negociações
com a oposição tucana foi insuficiente. Aproximadamente
duas horas antes da votação em primeiro turno
da proposta de emenda constitucional (PEC) que prorrogava
o tributo criado no governo tucano de Fernando Henrique
Cardoso, o presidente Lula encaminhou mensagem endossando
proposta ministerial de destinação de parcela
maior da CPMF à saúde.
Para a oposição, era tarde demais. Uma tentativa
da base governista de adiar mais uma vez a votação
fracassou, e a PEC foi votada, fatiada, no início
da madrugada.
Com quórum de 79 senadores, o artigo 2 da PEC --o
que tratava da prorrogação da CPMF-- foi derrubado.
O governo precisava de 49 votos, perdeu por quatro. A oposição
conseguiu 34 votos.
Em seguida, foram votados em conjunto os artigos 1 e 3,
que tratavam da Desvinculação das Receitas
da União (DRU). Nesse caso, como havia sido combinado
à tarde, a base governista e a oposição
liberaram suas bancadas e o instrumento que dá flexibilidade
ao governo no manejo das receitas da União foi mantido
por 60 votos a favor e 18 contra. Um senador deixou de votar.
A Desvinculação das Receitas da União
(DRU) é importante ferramenta para assegurar o superávit
fiscal.
"Depois da derrota pedagógica da CPMF, o governo
também tem o direito de sobreviver", afirmou
o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). "Voto pela
DRU. É um gesto de boa vontade", disse.
A oposição, que teve o domínio do campo
de negociação nas 48 horas que antecederam
à votação, ainda buscou mostrar que
derrubar a DRU significaria liberar recursos para o social,
o que anularia parte do impacto negativo da suspensão
da cobrança da CPMF. O segundo turno da votação
da PEC está previsto para dia 20.
O dia no Senado foi de ansiedade e desnorteamento. A expectativa
com a formalização de uma proposta do Planalto
de redirecionamento de recursos da CPMF para a saúde
foi o elemento que movimentou parlamentares e jornalistas.
Apenas à noite, com a sessão já em
andamento, o governo confirmou a informação
de que uma carta seria encaminhada aos senadores.
Em função da proposta, agora formal, como
cobrava o PSDB, criou-se o momento de maior tumulto da sessão.
O senador Pedro Simon (PMDB-RS), mesmo derrotado na eleição
para a presidência do Senado, saiu em defesa da proposta
da base do governo de levar a votação para
o dia seguinte. A reação do líder do
PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), foi áspera.
Retomado o andamento da sessão, somente após
uma hora da manhã o novo presidente da Casa, senador
Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), abriu o painel para votação.
A derrota não surpreendeu.
O senador Renato Casagrande (PSB-ES), da base governista,
admitiu que o Planalto deveria ter feito a negociação
mais cedo.
Fonte:
Reuters |