Maia,
sem dinheiro para o Pan, critica governo
O
prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL), endureceu o discurso
ontem e disparou críticas contra o governo do presidente
do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo fato
de a cidade estar inscrita no cadastro de inadimplentes
da União, o que a impede de receber recursos para
organizar os Jogos Pan-Americanos. Em seu boletim eletrônico
diário, ele "classificou" de autoritário
o dispositivo de fiscalização, além
de ter acusado o político de beneficiar o senador
Renan Calheiros (PSDB) e a ex-prefeita de São Paulo
Marta Suplicy (PT).
Desde
dezembro de 2006, por causa de uma discordância
fiscal, o Rio está impedido de receber recursos
da União porque foi inscrito no Cadastro Único
de Transferência de Valores (Cauc) - ex-Cadin. Com
o bloqueio das receitas, a cidade já deixou de
receber cerca de R$ 60 milhões para a realização
de obras do Pan-Americano, que terá início
no dia 13 de julho. "O Cadin, criado no regime autoritário
para impor as vontades do governo federal aos estados
e municípios e constrangê-los, conseguiu
status de lei num cochilo do congresso", escreveu
Maia no primeiro dos cinco tópicos do boletim intitulado
"Cadin: instrumento do autoritarismo".
No
segundo tópico, Maia acusou o presidente Lula de
beneficiar Calheiros, ao excluir Alagoas do Cadin, assim
como Marta, que nunca teria tido os limites de endividamento
paulista questionados pela União. "Aos amigos
tudo. Aos inimigos a lei", assinalou o prefeito.
Maia defendeu a tese de que não há necessidade
de incluir os R$ 365 milhões recebidos de um banco
privado (pagos para ter o direito de administrar a folha
de pagamentos da prefeitura), na chamada receita líquida
do município - item em que a União calcula
o valor a ser recolhido, referente aos 13% da dívida
da cidade.
Depois
de obter uma liminar para o governo federal não
receber o dinheiro, o Rio terminou inscrito no Cauc. "Naturalmente
este valor foi lançado como receitas de capital,
exatamente como a prefeitura de São Paulo havia
feito um ano antes", anotou o prefeito. "Mas
o ministério da Fazenda, ansioso por criar constrangimentos
à prefeitura do Rio - como o vem fazendo impedindo
financiamentos como o do Banco Mundial para a educação
infantil, ou o do Jbic (Japonese Bank for International
Cooperation) para saneamento das lagoas - inventou que
as receitas eram correntes e sobre elas deveriam se aplicar
os 13% de pagamento da dívida contratada."
Os
R$ 53 milhões, às obras de urbanização
da Vila Pan-Americana, e R$ 4 milhões para a instalação
de placas de sinalização turísticas
e capacitação de profissionais para a recepção
de turistas são os principais projetos afetados
pela briga.
Ao
final do boletim, o prefeito do Rio chamou, o que considera
ser uma retaliação à cidade, de "duplo
abuso". "Quem decide junto com os executivos
a forma de contabilizar receitas e despesas são
os tribunais de contas e qualquer dúvida entre
eles é dirimida pelo Poder Judiciário. O
Ministério da Fazenda nada tem a ver com isso.
A menos que uma lei nacional tratasse dessa contabilização,
o que não é o caso. Afinal, isso aqui ainda
é, mesmo que aos trancos e barrancos, uma federação",
criticou Maia.
"Uma
decisão do poder judiciário é atropelada
pelo ministério da Fazenda que, ao perder na Justiça,
usa abusivamente a inscrição no Cadin. Isso
é marcha batida para o autoritarismo. Mais uma."
Fonte:
www.tribunadaimprensa.com.br