Jovem
que ficou tetraplégica aos 12 anos já tem
sensibilidade nas pernas depois de cirurgia
Por: André Bernardo
Rio
- A universitária Camila Magalhães Lima Mutzenbecher,
21 anos, parece não conhecer o significado da palavra
“impossível”. Quase seis meses depois
de voltar de Portugal, onde foi submetida a uma cirurgia
de transplante de células-tronco, a carioca que ficou
tetraplégica aos 12, ao ser atingida por uma bala
perdida em Vila Isabel, já nota sensibilidade nas
pernas, festeja evolução na parte motora e
retoma o sonho de voltar a andar.
“Chega
a ser difícil descrever o que estou sentindo. Depois
da cirurgia, passei a perceber coisas que até pouco
tempo atrás não percebia. Outro dia mesmo
senti uma dor no joelho que nunca senti antes. É
como se estivesse com uma percepção maior
do meu corpo”, afirma ela.
Quinta-feira,
Camila participou de mais uma sessão de fisioterapia.
Com o auxílio de um andador e de um imobilizador
de joelhos, voltou a arriscar alguns passos. Segundo a fisioterapeuta
Adriana Dias, que acompanha Camila desde janeiro, os exercícios
ajudam o cérebro da estudante a recuperar a memória
motora.
“Pela
extensão da área lesionada, não era
para Camila fazer certos movimentos nos bíceps, tríceps,
punhos e dedos. Mesmo assim, ela é capaz de se vestir
sozinha, de usar o computador e até já tirou
carteira de motorista. Acredito muito no potencial de recuperação
da Camila”, observa a fisioterapeuta.
Ao que parece, Camila herdou a obstinação
da mãe, a aposentada Ana Lúcia Magalhães
Lima, 58 anos, que continua a brigar na Justiça pelo
pagamento da indenização a que a filha tem
direito. Em setembro, Camila só conseguiu viajar
para Portugal graças à solidariedade de um
comerciante português, que emprestou 35 mil euros,
o equivalente a R$ 90 mil.
“As
autoridades precisam entender que não quero o dinheiro
para comprar roupas caras ou passear no exterior . Só
tenho três anos para quitar a dívida que contraí
para a minha filha fazer a cirurgia. Além disso,
a Justiça tem que prender o ladrão, mas também
socorrer a vítima. O ladrão já foi
solto, mas minha filha continua presa a uma cadeira de rodas”,
desabafa Ana Lúcia, que ganha R$ 1.700 mensais de
aposentadoria.
A
luta de Camila para voltar a andar só não
é maior que a da mãe para não interromper
o tratamento da filha. O novo desafio é comprar o
Sygen, um remédio que ajuda na regeneração
das células-tronco na área lesionada. O problema
é que cada ampola custa cerca de R$ 180 e Camila
precisa tomar, no mínimo, 60 doses.
“Vivo
com pires na mão. Quando um empresta daqui, corro
para pagar a quem devo dali e assim por diante. Só
em despesas com a Camila, gasto R$ 3 mil por mês.
Só não faço mais porque não
posso”, lamenta Ana Lúcia, que abriu uma conta
no Bradesco (agência 2796-0, C/P 3783-4) para ajudar
no tratamento da filha.
Fonte:
www.odia.com.br |